Cope prende suspeitos de assassinatos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de novembro de 2001
Rosana Félix<bR>De Curitiba 
O Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) prendeu ontem dois suspeitos de terem assassinado dois líderes dos estivadores cadastrados em Paranaguá. Luiz Félix foi morto na semana passada e Paulo Henrique Canhola em março de 2000. Mesmo com a prisão, a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) pretende remover os quatro auditores fiscais que trabalham na cidade, já que eles receberam várias ameaças de morte na semana passada.
A DRT havia solicitado reforço à Polícia Federal para proteger os fiscais durante suas atividades, como a Folha noticiou ontem. Mas o delegado da DRT, Celso Soares da Costa, achou arriscado mantê-los em Paranaguá. Dois fiscais já foram transferidos para Curitiba e outros dois ainda estão negociando se serão transferidos. A DRT vai fazer um rodízio para manter o quadro de fiscais no município.
Os suspeitos presos ontem à tarde são os irmãos Jailson e Raimundo Bezerra. Eles foram apontados como autores da morte de Félix e Canhola, que morreram de forma parecida. Os dois levaram um tiro na cabeça com uma pistola calibre 380. Eles eram líderes dos cadastrados (carteirões) e lutavam por mais oportunidades de trabalho, já que a categoria só é chamada para trabalhar na falta de estivadores registrados. O Sindicato dos Estivadores tem 1,2 mil cadastrados e 499 registrados.
A morte de Félix ocorreu em um momento de grande atrito na Estiva, que selecionou 257 dos 1,2 mil cadastrados para serem registrados. ''O critério foi o de mais horas trabalhadas'', explicou o presidente da Estiva, Ubirajara Maristany.
Até 5 de novembro o Órgão Gestor de Mão-de-Obra (Ogmo) estava recebendo denúncias sobre os selecionados. Segundo Maristany, isso gerou muita briga entre os cadastrados. Félix liderava a coleta de denúncias, que vão ser investigadas pelo Ogmo até 30 de novembro. Cerca de 70 estivadores receberam acusações. Se as denúncias se confirmarem, outros cadastrados serão chamados.


