Curitiba - A equipe do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) conseguiu prender no último final de semana uma quadrilha que vinha agindo há cerca de um ano em Curitiba. Formado por cinco pessoas, o grupo escolhia como vítimas as pessoas que tinham acabado de fazer saques em bancos. Essa mesma quadrilha é suspeita de ter assassinado as empresárias curitibanas Taciana Ábila, em 15 de janeiro, e Ana Valéria Klagenberg, em 21 de fevereiro.
Com os cinco presos foram encontrados dois veículos BMW, dois Ômegas, um Mercedes Classe A, um Monza, um Brava e um Fiat Uno, além de cinco motos, duas pistolas (cal.380 e cal.40) e dois revólveres (calibres 38 e 32). Em posse do grupo estavam ainda nove celulares, dois rádios HT, farta munição, R$ 20 mil em dinheiro e cheques roubados. Os veículos estão avaliados em cerca de R$ 220 mil. As vítimas que reconheceram os presos como autores dos crimes, terão agora que recorrer à Justiça para que esses bens sejam leiloados. O valor arrecadado deve ser rateado entre os prejudicados.
Segundo o delegado titular do Cope, Luiz Carlos de Oliveira, a quadrilha agia sempre com muita violência. ''Mesmo que a vítima já tivesse entregado o dinheiro, eles atiravam.'' Os investigadores chegaram até o grupo porque várias vítimas reconheceram uma das BMWs usada nos assaltos e chegaram a anotar a placa.
Normalmente um dos integrantes do grupo se passava por executivo e fazia movimentação bancária para ter acesso à tesouraria do banco, local onde são retiradas grandes somas de dinheiro. Depois que indentificava uma pessoa que tinha feito saque alto, o integrante avisava um companheiro seu, que já aguardava do lado de fora da agência. A vítima então passava a ser seguida para que seu carro fosse identificado.
O terceiro e quarto integrantes do grupo, que sempre utilizavam uma moto, recebiam então a informação do veículo que a vítima estava usando. No momento oportuno, o condutor da moto dava voz de assalto. O último integrante se aproximava da vítima como testemunha do assalto, demonstrando intenção de prestar socorro, e muitas vezes descaracterizava alguns detalhes verificados pela vítima. As BMWs eram usadas para proteger os motoqueiros, impedindo que alguma vítima tentasse segui-los.
Os cinco presos são Douglas de Araújo, 24 anos, Caio José Cardoso Furtado, 27 anos, Jefferson Andrade da Silva, 30 anos, Nelson Luiz Guidolin Júnior, 37 anos, e Willian Fernandes Diniz, 29 anos.
Douglas é acusado de ser o líder da quadrilha, mas ele nega a participação. Alega que seu patrimônio veio de uma herança deixada pelo pai, que morreu em agosto do ano passado. Ele já cumpriu pena em São Paulo por assalto à mão armada e diz que por esse passado, tem sido perseguido pela Polícia. ''Em São Paulo foi assim. Saí de lá porque não aguentava mais a perseguição.'' O delegado, no entanto, afirma que a polícia já tem gravações de diversas aparições dele nos dias e nas agências bancárias onde as vítimas fizeram os saques.
O grupo vai responder por formação de quadrilha, assalto a mão armada e roubo seguido de morte.

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