Cope deve voltar para garantir segurança
Telma Elorza
De Londrina
Uma equipe do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) considerada de elite da Polícia Civil (PC) do Paraná pode voltar a Londrina nos próximos dias para ajudar a conter a onda de assaltos. A decisão deve ser tomada até hoje pelo secretário de Segurança Pública do Estado, Cândido Martins de Oliveira. Será a terceira vez que o Cope vem à cidade nos últimos meses já esteve em setembro de 99, após o assassinato do radialista Lourival Cruz, e durante o Torneio Pré-Olímpico de Futebol (19 de janeiro a 6 de fevereiro).
O assessor de imprensa da Secretaria de Segurança Pública, Valdir Bicudo, disse que a vinda do Cope está sendo cogitada por causa das últimas graves ocorrências policiais, como o assassinato do mototaxista Everson de Mello, no dia 1º deste mês. Ele lembrou que o Cope é diretamente ligado ao secretário e presta apoio às 19 subdivisões da PC. Segundo ele, Oliveira reconhece que há deficiência de policiais civis em Londrina e está trabalhando para a nomeação dos classificados no concurso da polícia (700 investigadores e 164 escrivães em todo o Paraná).
A vinda do Cope está sendo estudada no momento em que o Conselho Comunitário de Segurança divulga pesquisa mostrando que em 99 o número de crimes contra a vida homicídios e tentativas de homicídios na cidade cresceu 35,53% em relação a 98. O estudo também revelou que o número de roubos teve um aumento de 26,21% no mesmo período.
Estes dados foram coletados pela entidade junto ao cartório distribuidor da comarca de Londrina nos meses de dezembro e janeiro. Pelo levantamento, segundo o presidente do Conselho de Segurança, Newton Moratto, ficou comprovado que o índice de criminalidade e violência na cidade cresceu nos últimos três anos, contrariando dados oficiais divulgados recentemente pela Secretaria de Segurança.
O levantamento estatístico foi divulgado ontem e os números se referem apenas aos inquéritos concluídos os inconclusos (quando não se descobre o autor do delito ou não há provas suficientes para que MP ofereça denúncia) não foram computados. Todos os inquéritos concluídos são encaminhados ao Ministério Público para as medidas cabíveis. A pesquisa foi feita com base nestes registros, portanto é confiável, justificou.
O levantamento aponta que o número de crimes contra a vida passou de 121, em 98, para 164 em 99. Neste item não estão incluídas as mortes no trânsito, considerados homicídios culposos (sem intenção de matar), afirmou. Estes foram computados como acidentes de trânsito, que mostram uma diminuição nos números: 141, em 98, para 118, em 99 (veja quadro nesta página).
O presidente do conselho ressalta que a pesquisa não inclui delitos que não dependem da efetiva participação da polícia, como crimes contra o erário e fraudes. Talvez no Paraná tenha realmente havido uma diminuição no índice de criminalidade, como foi anunciado pelo secretário, mas em Londrina a violência vem aumentando.
Conforme Bicudo, este aumento na violência em 99 deveu-se às ocorrências registradas em dois meses atípicos: fevereiro, quando ocorreu a morte da advogada Alexandra Disseró, baleada em um bar; e setembro, quando aconteceram diversos crimes.
Na opinião de Moratto, Londrina está abandonada e o levantamento mostra a deficiência no setor policial. Faltam estrutura, efetivo policial e uma política de segurança que não dependa da pessoa que está no cargo de responsabilidade pela área, criticou. Para ele, uma política séria de segurança poderia trazer resultados tão animadores como os registrados nos acidentes de trânsito. Houve uma diminuição de 19,48% de mortes no trânsito de um ano para outro, resultado da implantação do novo Código de Trânsito Brasileiro, opinou.
Moratto cobrou também a mobilização da sociedade protestando e demonstrando sua indignação com a situação. Precisam passar a responsabilizar os senhores prefeito (Antonio Belinati) e governador (Jaime Lerner) pela violência que vêm sofrendo, afirmou. O prefeito, que tem um trânsito muito bom no Palácio Iguaçu, deveria estar mais empenhado em garantir a segurança para a comunidade, assim como se empenhou em garantir a segurança no Pré-Olímpico.





