Cope ajudará a investigar caso Kusma
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quarta-feira, 09 de julho de 1997
Paulo Ubiratan Londrina 
O delegado de Cambé, Nasser Salmen, solicitará ajuda do Comando de Operações Especiais (Cope) da Polícia Civil de Curitiba, para as investigações finais do caso do assassinato do agricultor Kusma Ovchinnikov e do filho dele, Sava, de 2 anos e meio, ocorrido na noite do dia 26 de junho. Segundo o delegado, apesar de já ter definido o quadro do crime e o nome dos principais suspeitos, ainda existem muitas contradições nos seus depoimentos. Já que temos os nomes (dos suspeitos), vamos investigar a fundo o crime para sabermos o grau de envolvimento de cada um deles. Para isso estamos solicitando a cooperação do Cope, que tem gente para trabalhar e experiência neste tipo de caso, explicou.
Ontem pela manhã foi ouvido o detetive Luis Claúdio Xavier. Ele teria solicitado ao motorista da Polícia Jovaci Pereira Junior para trazer seu caminhão de Apucarana, que serviria de isca para aplicar o golpe do chute no agricultor. O mentor do golpe seria Jairton da Silva Aleixo, o Jair, que teria levado Kusma até um posto de gasolina na avenida Tiradentes, onde estava estacionado o caminhão de Jovaci, e simulado o assalto. O agricultor, o filho, e a esposa Evdokia estavam no pátio do posto quando foram obrigados a entrar no seu próprio veículo Corsa e seguir com dois ladrões. No caminho, Kusma teria reagido ao assalto, que acabou com a morte do pai e do filho.
Os ladrões roubaram R$ 15 mil das vítimas, valor que serviria para pagar a entrada do caminhão. Os assaltantes foram identificados pelo delegado Salmem como sendo José Aparecido Ferreira e Divino Aparecido Ferreira, conhecido como Maringá. Este último está preso, confessou o crime e afirmou ter participado do roubo a convite de Vanderlei Soares, de apelido Vagalume. disse que contratou os dois ladrões a pedido de Jairton.
Luis Cláudio, em seu depoimento, confirma que fez contato com Jovaci para vender o caminhão. O detetive disse que conhecia Jairton como informante da polícia e sabia que ele tinha um comprador para o veículo de Jovaci. No entanto, afirmou que não sabia que o caminhão serviria de isca para roubar o agricultor. Luis Cláudio enfatizou ter trabalhado até janeiro com Jovaci na 10ª Subdivisão Policial de Londrina (SDP). Durante este tempo, o motorista policial queixava-se de falta de dinheiro e tinha intenção de vender o caminhão.
Ele contou que no dia do latrocínio estava de plantão na 10ª SDP junto com Jovaci. Segundo levantamento feito pela polícia, o motorista policial não estava na delegacia no momento do latrocínio. Luis Claudio disse que tomou conhecimento do fato por telefone e, junto com o detetive Vidal Fontão, foi o primeiro a chegar no local do crime. Ele garante que deu assistência a Evdokia, logo depois que o marido e o filho haviam sido mortos. Fontão e Luis Claudio foram na semana passada afastados das funções policiais por denúncia de extorsão contra um trabalhador.
Há menos de um mês, os mesmos detetives prenderam dois traficantes vindos de Mato Grosso do Sul carregando meio quilo de cocaína. As informações da existência dos traficantes em Londrina teriam sido passadas por Jairton aos policiais. Uma semana depois os traficantes fugiram do 3º Distrito Policial, onde estavam presos. Um dos motivos da vinda do Cope será também para investigar como se deu a fuga dos traficantes.
Os principal suspeitos pela facilitação da fuga seriam o próprio Jairton e um policial cujo o nome é mantido em sigilo. Jairton teria sido ameaçado de morte e resolveu resgatar a traição contra os traficantes que havia denunciado. O policial suspeito, também muito amigo de Jairton, teria arranjado o esquema da fuga traindo seu colega, que no momento estava de plantão no 3º DP. Ontem à tarde, o delegado Salmen negou-se restituir o caminhão de Jovaci, que está apreendido no pátio da delegacia de Cambé.


