Copa do Mundo pode garantir verba para metrô
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sábado, 14 de fevereiro de 2009
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Há uma razão forte para a Prefeitura de Curitiba redobrar os esforços na campanha para que a cidade seja uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Sediar os jogos significa atrair recursos do governo federal para investimentos em infraestrutura. Essa seria a maneira mais ágil de assegurar o dinheiro para construção do metrô, já que nas duas vezes em que o município tentou incluir o projeto no orçamento geral da União, não obteve sucesso. Estudos preliminares realizados pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) indicaram custo aproximado de R$ 2 bilhões.
O presidente do Ippuc, Cléver Almeida, não esconde a expectativa com essa brecha para viabilizar os recursos, mas destacou que o metrô faz parte de um projeto de transporte para a cidade, com ou sem a realização do mundial em Curitiba. ''A Copa cria um fator positivo, ajuda-nos a viabilizar a implantação do projeto de uma maneira mais fácil. Mas, na hipótese de não virmos a sediar a Copa, o esforço vai continuar dentro da mesma perspectiva.'' Na sexta-feira, a prefeitura entregou um novo conjunto de documentos ao Comitê Organizador Brasileiro da Copa do Mundo Fifa-2014 com informações sobre a estrutura da cidade.
Almeida garante que não é excesso de otimismo acreditar que a construção do metrô se dê em um prazo de quatro anos. ''Possível é, mas precisamos buscar condições necessárias para isso, principalmente, recursos'', insistiu. Segundo ele, a intenção é concluir todos os estudos este ano, até para embasar o pedido de inclusão no Orçamento da União para 2010. Metade do valor será a contrapartida da prefeitura, que pretende dividir o investimento. O município deve assumir 18% e os outros 32% seriam da iniciativa privada, que ficaria responsável pela aquisição de trens e alguns sistemas operacionais.
Além da elaboração do projeto básico de engenharia e do Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) - já licitados - são necessários o estudo de viabilidade, que será feito pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), e a modelagem do empreendimento. Este último vai apontar, detalhadamente, como será a operação do metrô - se a operadora será privada, número de funcionários necessários, que órgão fará a fiscalização pelo município, entre outros aspectos.
Não há definição sobre quem fará o estudo de modelagem. O mais provável é que o Ippuc estabeleça uma Parceria Público-Privada (PPP) por meio de um chamamento público. A elaboração desse estudo depende de informações do projeto de engenharia, que começará em março. O consórcio Novo Modal, vencedor da licitação, terá prazo de 270 dias para o concluir. Caso assegure recursos, a concorrência pública também teria que ser agilizada para que as obras iniciassem em 2010.
Outra condição importante para atender o cronograma é ter um ''plano de ataque'' responsável, lembrou Almeida. ''Precisamos de um plano adequado para a cidade continuar vivendo. Tudo isso impacta no tempo de obra.'' Uma das vantagens do projeto curitibano é que quase todo o traçado será o mesmo onde circulam os ônibus biarticulados. Adotando o sistema 'cut and cover', a obra poderá ser feita sem grandes interferências no trânsito, pelo menos, nos trechos das avenidas República Argentina e João Gualberto. Com esse sistema não é necessário interromper o trânsito para fazer as escavações.


