Copa delira: o palco dos Stones vai até a galera
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domingo, 19 de fevereiro de 2006
Jotabê Medeiros<br> Agência Estado 
Rio- ''Tem gente de São Paulo aqui, hein? E da Bahia? E de Porto Alegre? E do Rio? Vocês são fantásticos.'' Mick Jagger sabia perfeitamente que estava celebrando uma espécie de missa multicultural, multigeográfica, multirreligiosa, quando os Stones pisaram o palco, às 21h45 do sábado: o rock tornou-se a única linguagem para mais de 1 milhão de pessoas que se reuniam na orla de Copacabana e detalhe, em paz: até o fim do show nenhum incidente grave foi registrado.
O líder da turnê A Bigger Bang só parava de cantar para desfilar frases em português, das tradicionais ''Olá Rio! Olá Brasil!'' e ''Boa noite, galera'' até ''Copacabana, este é o melhor lugar do mundo''. Mas a praia se rendeu mesmo aos Stones quando uma espécie de trenzinho levou a banda inteira, tocando ''Miss You'', ao meio do público, por meio de uma passarela com trilhos. Ali, Mick fez gracinhas, do tipo ''as mulheres são lindas aqui, hã?'' e posou para as fotos dos fãs, com máquinas amadoras e celulares.
As explosões que vieram do telão no início do show demonstravam a tese do big bang roqueiro. Era um passeio por grandes centros urbanos: Nova York, Paris, Londres, São Paulo, Copacabana. Os Stones começaram com ''Jumpin Jack Flash'', uma novidade, uma vez que a turnê costuma abrir com ''Start Me Up''. Mick Jagger vestia um spencer prateado, jeans preto, tênis preto e cinto cintilante. Keith Richards, com um terno bordado nas costas em dourado, estava eloquente com suas Fender e depois Gibson pretas, mostrando disposição em uma noite já muito escaldante em Copacabana.
Em dado momento, Jagger endereçou um recado para o público fora das áreas confortáveis de vips e convidados. ''Todo mundo lá atrás'', disse. Logo a seguir, com uma camisa azul por cima da camiseta preta, emendou ''Wild Horses'', uma das mais belas baladas do rock.
Ele também falou, demonstrando que é um bom homem de negócios, sobre a audiência que a transmissão do show estava alcançando, que se estendia aos Estados Unidos e ao México. Ainda na linha de marqueteiro, desfilou várias frases ensaiadas em português, incluindo as clássicas.
Na bateria de Charlie Watts, em ambos os lados, havia dois painéis acrílicos onde estava descrito todo o repertório. Da passarela em diante, foi só petardo: ''Rough Justice, Honk Tonk Women, Simpathy for the Devil, Start Me Up, Brown Suggar''. Para finalizar, aquela que todo mundo esperava: ''Satisfaction''.
O guitarrista Keith Richard viveu seu momento de herói ao cantar ''This Place is Empty''. Ao terminar, o pessoal do fundão mandou um grito de guerra: ''olê, olê, Richard, Richard''. Enquanto Richard cantou duas músicas, a segunda intitulada ''Happy'', o guitarrista Ron Wood fez um belo slide guitar, sentado no centro do palco. Os Stones tocaram ao todo 20 canções, numa noite do mais puro rock and roll.
A consagração final veio com o bis: Jagger vestia uma camiseta branca com a bandeira do Brasil estampada. Ele então emendou ''You Can't Always Get What You Want'' e, finalmente, ''Satisfaction''.


