Coordenador do Depen vai receber grevistas
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terça-feira, 19 de outubro de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O coordenador-geral do Departamento Penitenciário (Depen) do Paraná, coronel Justino Sampaio Filho, recebe, na manhã de hoje, a comissão de agentes penitenciários na tentativa de chegar a um entendimento com a categoria, que está em greve desde a noite da última sexta-feira. Os agentes iniciaram a mobilização pedindo o afastamento do coordenador do cargo, pois ele estaria descumprindo acordos firmados com os servidores quanto a escalas de trabalho, folga e nomeação de cargos de chefia.
Ontem, a comissão de agentes, que reúne dois representantes de cada unidade penal de Curitiba e região metropolitana, reuniu-se com o chefe da Casa Civil, Caíto Quintana. O presidente da comissão, João Carlos Ribeiro, disse que, de concreto, ficou definida a realização de estudos por uma equipe técnica do Depen, com acompanhamento dos agentes, para implantação de uma escala de trabalho alternativa.
Hoje, os agentes penitenciários trabalham 24 horas e folgam 48 horas. Uma portaria do governo do Estado estabeleceu nova escala (12 horas por 36 horas), que passaria a valer no ano que vem, a partir da contratação dos novos concursados. Segundo Ribeiro, o coordenador do Depen decidiu antecipar a implantação da nova escala e esse foi um dos motivos de descontentamento por parte dos servidores. Eles entendem que, apesar do período de trabalho ser menor, a frequência nas unidades será maior. ''Há estudos que comprovam que a atividade é estressante, o ambiente é insalubre e isso influencia a qualidade de vida dos trabalhadores'', acrescentou Ribeiro.
Ribeiro disse que a expectativa é de um entendimento com Sampaio Filho até porque, segundo o agente, Quintana teria dito que se não houvesse flexibilidade por parte da coordenação do Depen, ele voltaria a interceder.
Sampaio Filho não atendeu a reportagem da Folha. A informação no Depen foi a de que apenas a assessoria de imprensa se manifestaria sobre o assunto. Em release da agência de notícias do governo, o coordenador declarou que está disposto a por fim no impasse. ''Reconheço o valor de todos os agentes penitenciários para o engrandecimento do Sistema Penitenciário do Estado, considerado um dos melhores do país. Estou aberto ao diálogo, para discutir eventuais falhas de comunicação pessoal, para aprimorar o nosso sistema''.
Em Londrina, os agentes penitenciários aderiram à greve e desde ontem estão trabalhando com apenas um terço do efetivo total na cidade, de cerca de 135 homens. As penitenciárias de Cascavel, Foz do Iguaçu e Ponta Grossa continuam a funcionar com 100% do efetivo.


