Coopersul inicia
colheita de milho
em área invadida
Lavoura foi plantada por sem-terra em fazenda da cooperativa
Luiz Carlos Dias Júnior
Especial para a Folha
A central de cooperativas Coopersul, iniciou anteontem a colheita de milho plantado por sem-terra que haviam invadido a Fazenda Caracu, no final do ano passado. A fazenda, de propriedade da empresa, fica às margens da BR-373, em Candói (76 km a oeste de Guarapuava). A Coopersul está respaldada na autorização do juiz Fernando Cesar Zeni, da 1ª Vara Cível de Guarapuava, expedida na terça-feira.
Segundo o advogado da Cooperativa Agrária Mista de Entre Rios (uma das sócias da Cooperasul), Edson Sanchez, caso os sem-terra resolvessem eles mesmo fazer a colheita do milho, estariam violando duplamente a lei. O advogado lembra que por um lado existe o mandado proibitório expedido em 18 de julho de 97 pelo juiz Irineu Stein Júnior, que proibiu membros do MST acampados em frente da fazenda de entrar na propriedade. Por outro lado, Sanchez cita que na legislação em vigor, a colheita por parte dos invasores configura crime de roubo, já que por lei o milho pertence à cooperativa.
Ao decidir colher a lavoura, o assessor de comunicação da Agrária, Eugênio Leonhardt, afirma que a central de cooperativas está demonstrando que na fazenda não existe nenhuma posse pacífica por parte dos invasores. ‘‘A Coopersul jamais poderia compactuar com uma flagrante violação do estado de direito’’.
Leonhardt recomenda para que o setor agrícola e as autoridades do Paraná, como Receita Estadual, por exemplo, se empenhem em bloquear qualquer tentativa dos membros do movimento de colher e comercializar o produto que plantaram ‘‘em terra alheia’’. ‘‘Qualquer um que adquirir dos invasores o milho plantado por eles em uma terra que não lhes pertence, deverá ficar ciente de estar cometendo crime de receptação de produto roubado, tendo que arcar com as consequências legais’’, alertou.
Após a invasão, promovida por cerca de 150 pessoas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) à fazenda, em 27 de novembro, foram derrubados em dois dias cerca de 30 alqueires de capoeiras, área utilizada no final de dezembro para o plantio do milho. Segundo o advogado da Agrária, o plantio que estava sendo realizado naquele momento por um dos dois arrendatários da fazenda foi interrompido.

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