Imagem ilustrativa da imagem Cooperativas reclamam de corte de sacos verdes
| Foto: Saulo Ohara
O material é distribuído pelas cooperativas para cerca de 230 mil domicílios em Londrina



Com o objetivo de economizar, a Prefeitura de Londrina, que atravessa uma crise financeira, confirmou que vai cortar a distribuição dos sacos verdes, ferramentas importantes da coleta seletiva do município. Segundo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), a suspensão do material vai até o final do ano, quando será avaliada uma possível retomada da distribuição.
O corte vai atingir diretamente cerca de 230 mil domicílios que recebem os sacos diariamente em todas as regiões da cidade. Desde que a coleta seletiva foi implantada, no início dos anos 2000, os sacos verdes sempre foram uma ferramenta importante na separação do lixo reciclável, pois facilita a identificação por partes dos coletores, e peça fundamental no papel de conscientização da população londrinense, que hoje está habituada com a separação.
Esta, no entanto, não é a primeira vez que a prefeitura decide pelo corte. A última vez foi em 2013, sob forte questionamentos das cooperativas que trabalham todos os dias na recolhida do lixo. A administração calcula que pode economizar até R$ 400 mil até o final de dezembro. Mas as cooperativas não concordam e prometem cobrar a CMTU. Para a maioria delas, a nova suspensão significa um retrocesso grande no processo de reciclagem em Londrina. O temor é de uma grande crise, que obrigue a dispensa de cooperados.
"O saco verde vai fazer muita falta para gente. A questão do volume do reciclado cai bastante quando não há a entrega do saco (verde) à população", apontou o diretor administrativo financeiro da Coopernorth, Danilo Augusto Cardoso Braz. A cooperativa atende 22 mil domicílios na região central. Ele conta que, sem os sacos verdes, a quantidade de lixo coletada, que é de 200 toneladas ao mês, pode cair até pela metade.
"O impacto não é só para nós, é também para o município. Já é difícil o morador fazer a separação com o saco verde, agora vai ser pior ainda", reforçou a presidente da Cooper Refum, Selma Maria Assis. Já prevendo uma queda de material recolhido ela diz até que teme até pela dispensa de cooperados. "Quando cortou da outra vez, conseguimos manter comprando a sacaria verde, mas agora não temos condições, nosso contrato caiu pela metade. Tive um corte de oito cooperados um mês atrás e se a gente não tiver respaldo, terei que dispensar mais gente", lamentou. A Cooper Refum tem 60 cooperados e realiza a coleta nas regiões norte e leste, em cerca de 18,8 mil casas.
A presidente da Cooper Mudança, Adriana Fernandes da Cruz Alves, diz que a população de Londrina foi educada a fazer a separação do lixo reciclável através do saco verde e avalia que o corte pode prejudicar bastante o trabalho. "É 100%, ele é a marca do reciclável, a referência da separação."
Na Ecorecin, a notícia caiu como uma bomba. Segundo o diretor-secretário Francisco Caetano Bitencourt, os barracões estão cheios de materiais para serem reciclados e o momento era de crescimento. Mas com o corte o cenário deve mudar.
Para a diretora financeira da Cooper Região, Verônica Cardoso Costa de Souza, o corte não trará impactos negativos para a entidade. "Quando eles retomaram o saco, avaliamos que já não era tão necessário. A população já está habituada, por isso, enquanto cooperativa, não vemos problema. Vai ficar feio para a Prefeitura, que não tem planejamento, voltou a distribuir o saco e depois de oito meses corta de novo", atacou. Assim como fizeram na época do último corte, ela informou que já trabalha com a ideia de realizar uma nova campanha junto aos moradores para minimizar uma possível queda na separação do lixo. A Cooper Região atende norte, sul, leste e oeste, em cerca de 87 mil domicílios.
Segundo o diretor de operações da CMTU, Fernando Porfírio, o principal motivo para a suspensão foi o deficit no caixa da prefeitura. "O corte já estava sendo estudado há cerca de 90 dias, mas conseguimos driblar a crise e manter o serviço. O custo é alto, e a administração municipal vem sofrendo com a baixa arrecadação", justificou.
A CMTU pede o apoio da população e garante estudar estratégias para não diminuir a quantidade de materiais reciclados em Londrina. "Estamos pensando em firmar uma parceria com a Associação Paranaense de Supermercados (Apras) e até a Acil para que as cooperativas mantenham esse serviço, e também não sejam penalizadas com a redução dos produtos recolhidos. Por outro lado, esperamos que os próprios cooperados façam o trabalho de conscientização junto aos moradores."
A reportagem tentou contato com representantes da Coocepeve e Cooperoeste, mas eles não atenderam os telefonemas.

E A POPULAÇÃO?
Moradora do Jardim Piza (zona sul), a dona de casa Marli Bernardo lamentou o corte. "É uma pena, o saco é importante para ajudar na separação, é mais prático e a gente não precisa comprar", disse ela, que garantiu que não vai parar de fazer a separação. "Posso colocar em outro saco, mas não sei se os coletores vão entender".
Moradora da Vila Brasil, Janaína Chaves diz que a mudança pode confundir a população. "Eu mesma não sei como fazer. E para comprar também não é fácil, porque não encontra o saco verde fácil em todos os mercados. É uma economia que não compensa, pois vai aumentar a despesa com os outros tipos de lixo", opinou.

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