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MOMENTO DIFÍCIL -

Cooperativas enfrentam dificuldades para manter coleta em Londrina

Empresas não estão comprando recicláveis e cooperados precisaram ser afastados por pertencerem a grupos de risco da Covid-19

Pedro Marconi - Grupo Folha
Pedro Marconi - Grupo Folha

As cooperativas que coletam materiais recicláveis em Londrina estão atravessando um período de dificuldades, nesse tempo de pandemia de coronavírus. O principal problema é a falta de escoamento do que é recolhido das casas, resultando em barracões lotados. A adversidade acontece num momento em que a quantidade do que é recolhido aumentou substancialmente.  


Cooper região calcula uma queda de 40% nos ganhos
Cooper região calcula uma queda de 40% nos ganhos | Roberto Custódio
 


Segundo Zaqueu Viana, presidente da Cooper Região, os compradores dos materiais pararam de adquirir, já que não conseguem repassar para as empresas. A maioria fica em São Paulo, epicentro do coronavírus no Brasil e que está com diversas atividades suspensas. “A triagem dos materiais acaba sendo prejudicada, já que não conseguimos vender. Se não dá para trabalhar, não recebe e as pessoas estão sofrendo”, relatou. “Se São Paulo para, tudo para”, acrescentou. 




Além disso, cooperados tiveram que ser afastados por pertencerem aos grupos de risco da Covid-19. Nos últimos meses, o percentual de material coletado aumentou cerca 50%, com a maior presença das pessoas nos imóveis, gerando mais recicláveis. Ao mesmo tempo, as cooperativas viram a atuação dos recicladores autônomos se esvaziar. 


No caso da Cooper Região, mais pessoas chegaram a ser contratadas para atender a demanda, que alcançou 270 toneladas de comercialização no final de março. “Agora, calculamos uma queda no ganho em 40%. Estamos preocupados. Dá para ver nos nossos galpões os fardos amontados. Começa a complicar o espaço e nossa retirada, que pode ficar comprometida”, apontou Verônica Cardoso Costa Souza, diretora financeira da cooperativa. 


CHEFES DE FAMÍLIA

Presidente da Coocepeve, Sandra Araújo relatou que os compradores alegam que pegar os materiais das cooperativas sem ter a quem repassar seria como mudar o problema de lugar. “Para piorar a situação, a maior parte dos cooperados são mulheres e com filhos pequenos. As escolas não estão funcionando e elas não têm com quem deixar os filhos. Estou sem saber como fazer para cumprir o contrato junto ao município.” 


Dos 38 trabalhadores, apenas seis são homens. O restante são mulheres, a maioria chefes de família. A cooperativa atende mais de 25 mil imóveis em Londrina. “Trabalhamos com a equipe certa: os que vão para rua, aqueles que ficam no barracão. As mulheres que não têm condições de trabalhar estão desesperadas”, afirmou. Em locais que eram recolhidos três caminhões, agora estão sendo necessários seis. 


“Em 21 anos trabalhando nessa área, nunca vi um aumento de material igual está tendo neste tempo. Chega a ser assustador. Estamos passando por um grande apuro. Não sei se vamos chegar a parar, mas se continuar desse jeito só conseguiremos atender metade do setor”, reconheceu Sandra Araújo, que espera dar encaminhamentos para encontrar soluções ainda nesta semana. 


FINANCEIRO

Londrina conta com sete cooperativas que recolhem os materiais reciclados. De acordo com o representante da Ecorecin, mesmo com os serviços mantidos, a associação está ‘entrando no vermelho’. “Tivemos diminuição na triagem e o que conseguimos vender é pouco. Isso vem dificultando o trabalho e o lado financeiro. Temos medo de chegar num ponto de não conseguir pagar o salário no final do mês”, ressaltou Francisco Bitencourt, presidente da cooperativa. 


Antes da pandemia, a Ecorecin atuava com aproximadamente 30 cooperados. Com os afastamentos como medida preventiva, somente 15 estão conseguindo desempenhar as funções. A reposição também está comprometida. “Não estamos achando gente para repor e mesmo se achar, temos medo de não conseguir pagar. Ficamos numa situação ruim, porque é um serviço essencial.” 


Bitencourt disse que empresas privadas têm ajudado, como um banco que doou cestas básicas e produtos de higiene nos últimos dias. “A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) faz o papel dela, que é só continuar pagando pela coleta”, ponderou. 




SUGESTÃO

De acordo com coletores, a companhia chegou a oferecer um lugar para guardar parte dos materiais, entretanto, a proposta não agradou. A alegação foi a possibilidade e não existir o controle, a segurança e os cuidados necessários com o que já foi processado. A CMTU não respondeu os questionamentos feitos pela reportagem até o fechamento desta matéria. 

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