Há dois anos tentando se enquadrar nas normas estabelecidas pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Sandra Araújo Barroso Silva, presidente da Coocepeve, admitiu que o processo está sendo difícil. ''Antes de termos condições de fazer as mudanças, já foram tirando os benefícios'', disse, referindo-se à suspensão do pagamento de aluguéis de alguns barracões, apesar dos convênios ainda estarem vigentes, e o corte na oferta de sacos plásticos para serem distribuídos nas casas.
Um dos grupos associados à Coocepeve está, inclusive, sendo executado pela falta de pagamento do aluguel por causa da suspensão do convênio antes do prazo. ''A Prefeitura não pagou o aluguel, apesar de haver um termo de cooperação financeira, de 2009, garantindo os recursos. O dinheiro foi destinado à locação. Quem fica com esses recursos?'', questionou o advogado do proprietário do imóvel, Braulino Bueno Pereira.
Apesar de reconhecer a injustiça do ato, ele afirmou que vai executar os recicladores, responsáveis pelo contrato de aluguel, para preservar os direitos do proprietário. O valor cobrado é R$ 11 mil, referente a dez meses de ocupação. ''Os trabalhadores terão o nome sujo e os bens que possuem penhorados, porque não posso penhorar a Prefeitura'', lamentou.
Conforme Sandra, a CMTU alega que tem muita gente trabalhando em barracões muito pequenos. ''Eles acusam os grupos de estarem irregulares por causa disso. Não seria mais justo oferecer barracões maiores ao invés de exigir o corte dos trabalhadores?'', argumentou. Segundo ela, a Coocepeve congrega hoje 160 coletores, mas só tem estrutura física para 40. ''Não posso deixar 120 pessoas sem trabalho.''
Por conta das dificuldades, a coleta feita pela antiga central - que foi responsável pela implantação do serviço em Londrina e garantiu prêmios internacionais para o modelo - está comprometida. Há dois anos, de acordo com a presidente, eram recolhidas 60 toneladas de material reciclável por dia. Hoje, o volume caiu para 30 toneladas. ''Há material sobrando e gente querendo trabalhar. Estamos atendendo só 25% da população. Quem está sem atendimento reclama'', afirmou, confirmando que muitos moradores já voltaram a colocar material reciclável no lixo orgânico.
Boatos de que haveria empresas interessadas em realizar a coleta seletiva sem custo, em Londrina, em troca do lucro obtido com a venda do material, também assombram os trabalhadores. Os presidentes das duas cooperativas afirmaram que ouviram ''conversas'' sobre o assunto, mas não acreditam na viabilidade de realizar o serviço sem custo. ''Reciclagem dá muito trabalho, não acho que alguém se interesse em fazer sem ganhar'', disse Sandra.(C.A)

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