A Cooperativa Agrária Mista Entre Rios, acusada pela comunidade negra Paiol da Telha de ter ameaçado descendentes de escravos que reivindicam a posse de uma fazenda no município de Reserva do Iguaçu (centro-sul do Paraná), negou ontem que tenha enviado jagunços para assustar os negros acampados às margens de uma estrada rural, próxima à fazenda Invernada Paiol de Telha. ‘‘É uma mentira deslavada’’, acusou o advogado da cooperativa, Edson Sanches.
Sanches negou também que as terras tenham sido ‘‘usurpadas’’. ‘‘Compramos, em 1974, a posse dos descendentes dos escravos que receberam a terra como herança. Eles ficaram bem satisfeitos com o dinheiro que ganharam. Mais tarde, entramos com uma ação de usucapião e hoje temos a posse legal’’, disse.
Segundo o advogado, os negros não eram agricultores, a produtividade das terras era mínima e os moradores viviam na miséria. No ano em que a fazenda foi comprada - apenas 1.230,5 alqueires do total de 3,6 mil originais da fazenda recebida pelos escravos em 1866 - já houve, de acordo com Sanches, uma colheita significativa. ‘‘Agora que a terra foi tratada e produz bem, eles querem reivindicar algo que não é mais deles’’, afirma.

mockup