Aos 50 anos de idade Maria Francisca de Freitas descobriu os prazeres da vaidade. Ela integra a equipe que faz a limpeza do Parque Barigui e, todos os meses, reserva uma parte do que ganha para pequenas compras: uma roupa nova para o filho, um sapato para o marido ou seu batom, que não dispensa nem mesmo durante o trabalho. Coisas simples, mas que há oito meses não passavam de sonhos.
A vida de Francisca mudou em agosto passado, com a inauguração da Cooperativa dos Trabalhadores Autônomos de Curitiba (Cosmo). Ela já estava desempregada há oito meses quando soube da iniciativa de um grupo de trabalhadores apoiados pela Fundação de Ação Social (FAS). ‘‘Eu me animei porque na minha idade firma nenhuma quer me dar emprego’’, diz.
A Cosmo foi concretizada a partir do esforço de um grupo de pessoas e entidades, aliados à prefeitura. Os trabalhadores receberam treinamento sobre cooperativismo e habilidades técnicas e hoje só dependem do próprio esforço.
Além de Francisca, a Cosmo deu oportunidade de vida para outros 164 cooperados, que trabalham nas áreas de jardinagem, limpeza de valetas secas, roçada de terrenos e pequenos serviços de construção civil.
Sócios na cooperativa, saíram da condição de desempregados e trabalham como autônomos. Hoje ganham até R$ 330,00 ao mês, já descontados diversos benefícios como vale-transporte, seguro de vida, auxílio funeral e contribuição ao INSS que garante sua condições de segurados da Previdência Social. ‘‘A vida melhorou em tudo’’, resume Francisca.
O jardineiro Arnaldo do Rosário se orgulha de ter sido um dos primeiros cooperados a integrar a Cosmo. Aos 65 anos, a dificuldade de Rosário era conseguir trabalho para manter a casa e os três filhos menores. ‘‘Depois dos 50 anos não achava mais serviço, e vivia de fazer jardins no Centro da cidade’’, diz. Sua mulher, com a renda fixa de empregada doméstica, garantia o básico da casa.
Há oito meses na Cosmo, está satisfeito. O resultado do trabalho de todos os dias ele transforma em benfeitorias para a casa. ‘‘Já comprei uma cama e um jogo de quarto. É pouco, mas antes não tinha nada’’, conta.
Para Pedro Rodrigues de Souza, de 53 anos, a Cosmo significou a oportunidade de realizar um antigo sonho: construir a casa própria em um terreno comprado há três anos na Vila Andorinha, na Fazendinha. No ano passado ele perdeu o emprego de lavador de ônibus, e durante seis meses passou dificuldades com a mulher e dois filhos. Quem mantinha a casa era a esposa, que trabalha como cozinheira. Os pequenos bicos que fazia não eram suficientes para manter a construção, e ele teve que interromper as obras.Em menos de um ano, 165 associados da Cosmo encontraram ocupações como jardinagem ou varrição, melhorando padrão de vida

Carlos Ruggi/SMCSComemoraçãoMaria Francisca de Freitas faz parte da Cosmo há oito meses e hoje ajuda a limpar o Parque Barigui: ‘‘Eu me animei porque na minha idade firma nenhuma quer me dar emprego’’. No final do mês, ela comemora o dinheiro que sobra para comprar roupas para a família e um batom para elaSalários hoje chegam
a R$ 330,00 ao mês,
permitindo sustentar
a família

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