Marcos BorgesMistérioSede da Cohaban, no Jardim do Sol: nenhuma identificação na frente e portas estão sempre fechadasDe acordo com o morador Adão Barreto, o número de famílias no residencial Santos Dumont já passa 270. ‘‘Como a Cohaban cobrou R$ 4 mil de cada uma, a título de entrada, já deve ter arrecadado cerca de R$ 1 milhão. Mas nenhum centavo da dívida junto à CEF foi paga. Há também a notícia de que a cooperativa está falindo e com processos por estelionato. Temos medo de perder o dinheiro que investimos aqui depois de anos de trabalho e sacrifício’’, comenta Barreto.
Os diretores da Cohaban foram procurados pela reportagem da Folha diversas vezes, nos últimos dias, semanas e meses. Eles nunca são encontrados e não dão retorno aos telefonemas. Durante anos, a cooperativa manteve seu escritório em casas e salas comerciais no centro da Cidade. Agora, está instalada no jardim do Sol (zona oeste), em uma casa de madeira sem qualquer identificação exterior, mas que está sempre fechada.
‘‘Quando fui acertar a compra, naquela casinha de madeira, já comecei a desconfiar que alguma coisa andava errado’’, lembra o balconista Ricardo Gomes Correia, que desde maio mora no Santos Dumont. ‘‘Eu dei R$ 1 mil de entrada. Quando fui pagar a segunda parcela, não quiseram me dar o recibo e nem o contrato de compra. Desconfiei e não paguei. Estou guardando o dinheiro numa poupança, até a situação ficar resolvida.’’
Muitos compradores, como a comerciante Ana Rosa de Souza, deram o automóvel usado como pagamento da poupança exigida pela Cohaban. O gerente da CEF, Roberto Bachmann, procura tranquilizar a todos: ‘‘A questão está sendo estudada pela nossa diretoria em Curitiba. A solução deve sair até o final do ano. O valor do financiamento deve diminuir. Daremos preferência aos atuais moradores, desde que estejam dentro das condições básicas e exigências mínimas do Sistema Financeiro Habitacional.’’ Ele diz ainda que a Cohaban tem outros financiamentos na mesma situação junto à CEF.
(Osmani Costa)

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