A Cooper Região de Londrina está entre as três vencedoras do Prêmio Excelência Ambev Recicla 2016, que avaliou 230 cooperativas de reciclagem em todo o Brasil. O anúncio foi realizado na última sexta-feira, em São Paulo, e a cooperativa, que ficou em segundo lugar, deverá receber R$ 50 mil em investimentos após diagnóstico da cervejaria sobre quais equipamentos a cooperativa deve adquirir. O contrato deverá ser assinado no dia 1º de junho e prevê como contrapartida o envio da nota fiscal e de fotografias dos equipamentos adquiridos com o dinheiro, a autorização para o acompanhamento de um representante da Ambev para orientar na gestão dos recursos e a medição de desempenho obtida com os novos equipamentos.
O presidente da Cooper Região, Zaqueo Vieira, destaca que depois desse diagnóstico, a recomendação será submetida ao conselho da cooperativa, que irá decidir pela compra dos equipamentos mais necessários. "Ainda não sabemos como esse dinheiro será gasto, mas a premiação veio em boa hora e foi resultado da boa avaliação da gestão do trabalho realizada pela cooperativa. Nosso sistema é levado a sério", exaltou.
Vieira levou a reportagem para os barracões e mostrou que existem três tipos de separação realizada pelas equipes: a que é feita por meio de "bags" (sacolas grandes) no pátio; a separação por baias e a realizada com o auxílio de esteiras. Ele ressaltou que a cooperativa vem sofrendo com a queda dos preços pagos pelos materiais segregados, mas mesmo assim a renda média de cada cooperado tem se mantido na faixa de R$ 1,3 mil.
De acordo com Vieira, a cooperativa possui 219 cooperados que, além do salário, recebem vale transporte, marmita e vale alimentação no valor de R$ 150 se a pessoa não faltar e R$ 75 se ela registrar uma falta no período. "Mas quem faz o seu salário é o próprio cooperado, já que a gente paga por produtividade. Hoje tem cooperado que ganha R$ 1,8 mil", destaca.

COMERCIALIZAÇÃO
O responsável pelas vendas da cooperativa, Orlando Moreira, destaca que a média de material vendido é de cerca de 380 toneladas por mês. No mês passado, a cooperativa conseguiu comercializar 415 toneladas, dos quais 96 toneladas foram de cacos de vidro. "Os cacos de vidro são o material mais difícil de se lidar, já que podem provocar cortes nas mãos das pessoas e são de difícil comercialização, já que a indústria mais próxima que compra o material fica a 500 km de distância", apontou.
O gerente de produção do entreposto Oeste 1 da Cooper Região, Guiomar Vieira, destacou que a coleta é a base do trabalho ambiental. "A natureza não aguenta mais que se retire tanta matéria-prima dela. Esse prêmio a gente conquistou por mérito, por fazer um bom trabalho. A gente precisa desse investimento para adquirir maquinário para a estrutura da reciclagem. Quanto mais a gente aumenta a nossa produção, mais consegue tirar o material reciclável das ruas", apontou.
Segundo ele, um dos grandes desafios para as cooperativas é o avanço na conscientização do cidadão comum. "É preciso que a importância da reciclagem seja ensinada nas escolas para melhorar a qualidade do material", apontou. Se depender de João Vítor Ramalho de Souza Pelegrini, de 10 anos, essa separação do material está garantida. Aluno da Escola Municipal Carlos Dietz, ele contou u que é orientado pelos professores a fazer a segregação do material adequadamente. "Esse material, se ficar no quintal, pode acumular água. Me falaram que eles podem criar mosquito Aedes aegypti, que transmite dengue e zika", apontou. Sua mãe, a dona de casa Maria José Ramalho é moradora da Vila Nova, um dos bairros onde a Cooper Região atua. "O trabalho deles é muito bom."
A catadora Vera Lúcia Evangelista da Silva, de 48 anos, que atua na Vila Nova, disse que atua como recicladora há 9 anos, quando a Cooper Região ainda era uma associação. "Nós passamos por muitas dificuldades. No começo o material era coletado e separado debaixo de lonas. Depois tivemos dois incêndios e passamos por uma enchente. Saber que a Cooper Região foi premiada nos enche de orgulho", ressaltou

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