As pessoas que trabalhavam na coleta de material reciclável no lixão de Ponta Grossa e que foram retiradas do local por ordem judicial reclamam que agora estão passando dificuldades. Assim que foram retirados do ''Lixão'', os trabalhadores receberam auxílio da prefeitura por três meses, como serviço temporário e cursos de capacitação. A prefeitura também auxiliou os ex-garimpeiros a organizarem uma cooperativa batizada de Tucli (Trabalhadores Unidos Cidade Limpa).

Mas a partir do momento em que a cooperativa iniciou suas atividades, há três meses, começaram os problemas dos trabalhadores. No mês passado, eles conseguiram um salário de aproximadamente R$ 78,00, segundo o responsável pelas vendas da cooperativa, Amilton Rodrigues. ''No Lixão eu tirava R$ 400,00 por mês. Quem tem família grande está passando fome'', reclama o vendedor.

Segundo ele, as dificuldades enfrentadas pela cooperativa são muitas. O caminhão que a prefeitura alugou para eles é velho e por isso precisa de constantes reparos. ''No mês passado gastamos R$ 90,00 na manutenção.''

Além disso, a cooperativa não existe oficialmente e não possui notas fiscais. Sem notas, todo o lixo arrecadado acaba sendo vendido dentro da cidade, com preços até 50% mais baixos. ''Se vendessemos para outras cidades conseguiríamos R$ 0,40 pelo quilo do plástico. Em Ponta Grossa pagam somente R$ 0,25'', conta Rodrigues. Também falta material de proteção para o trabalho, como luvas e máscaras. E a prensa usada para compactar o material é emprestada de um comprador de lixo reciclável, que acaba impondo um preço inferior ao praticado no mercado.

No último mês os trabalhadores conseguiram juntar 34 toneladas de lixo reciclável, a grande maioria foi transportada nos carrinhos. Isso porque, como não foi feita nenhuma campanha de divulgação, a população do bairro Nova Rússia, onde circula o caminhão da Tucli, desconhece a existência dessa cooperativa e consequentemente não separa o material. ''Se houvesse divulgação e se a prefeitura arrumasse um roteiro melhor para nosso caminhão poderíamos arrecadar mais'', diz o vendedor.

Dos 79 trabalhadores que foram retirados do Lixão do Botuquara, em Ponta Grossa, apenas 29 continuam na cooperativa. Os demais conseguiram outros tipos de trabalhos ou desanimaram. ''Com o salário baixo, muitos ficaram desmotivados e abandonaram a cooperativa'', comenta Rodrigues. O secretário de Turismo e Meio Ambiente da prefeitura, Jorge Demiate, diz que desconhecia a maioria dos problemas dos cooperados e que, tomando conhecimento deles, está disposto a interferir junto à administração para resolver as dificuldades.

mockup