Cooperativa aposta na
escolarização de pessoal
Quando começou a implantar o Programa de Qualidade Total, a Cooperativa Agrícola Consolata Ltda (Copacol) percebeu que tinha um problema: uma parte considerável de seus funcionários não conseguia entender as normas e exigências do programa. Todas as instruções enviadas por escrito causavam dificuldade, sobretudo entre os funcionários da área de produção.
Uma pesquisa com os 2 mil empregados apontou a causa dos problemas. Cerca de 40% deles não tinha sequer concluído o primeiro grau e 90 eram analfabetos.
‘‘Uma empresa não pode crescer e garantir a competitividade com um quadro assim’’, diz o presidente da Copacol, Sérgio Luiz Khun.
Para apoiar sua afirmação, Khun apresenta os resultados de uma pesquisa feita nos Estados Unidos, segundo a qual cada ano de estudo corresponde a 0,4% a mais de produtividade do funcionário.
Por isso, em 1996 a empresa iniciou um trabalho em parceria com a Secretaria da Educação, que permitiu oferecer cursos supletivos de primeiro grau para os empregados espalhados nos cinco municípios onde ela atua - Cafelândia, Nova Aurora, Jesuítas, Formosa do Oeste e Tupãssi, todos localizados num raio de 50 quilômetros de distância de Cascavel (Oeste do Paraná).
O Programa Volta às Aulas criou inicialmente oito turmas, garantindo aulas nos três turnos de trabalho da cooperativa. Foram investidos R$ 35 mil no biênio 1996/97 e os resultados foram compensadores para a empresa. No primeiro ano de funcionamento do programa, 390 funcionários puderam concluir a escolarização correspondente ao primeiro grau. O número de analfabetos da empresa caiu de 90 para 33. Cerca de 200 funcionários ultrapassaram a 4ª série e estão frequentando os cursos de 5ª a 8ª séries.
Este ano a empresa começou a oferecer também o segundo grau, em conjunto com a Secretaria da Educação e contando com o apoio das prefeituras onde tem sede. Estão matriculados neste nível 285 funcionários.
O trabalho foi tão satisfatório que a Copacol decidiu dar bolsas de estudos para a faculdade e cursos técnicos. Com todas as medidas adotadas, dobrou o número de funcionários que fazem faculdade e a quantidade de empregados com curso superior completo saltou de 81 para 102. ‘‘Nossa meta é que todos os funcionários da Copacol tenham, no mínimo, o primeiro grau completo’’, revela Sérgio Khun.
A empresa já se tornou uma referência também nos municípios em que atua. Em Cafelândia, por exemplo, onde está sua principal unidade, a procura por vagas na escola aumentou tanto que o único colégio estadual da cidade, com 1.200 alunos, não está dando conta da procura. Já está sendo construída outra unidade estadual, para mais 500 alunos. ‘‘Nós perdemos o centro catequético, onde dávamos aulas para nossos funcionários, que agora está sendo usado pelas crianças. E isso é um bom sinal para a cidade’’, conclui o presidente da Copacol.

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