Cooperativa alega que lei prejudica agricultor
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sexta-feira, 06 de março de 1998
Sid Sauer 
A Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo) enviou durante a semana uma carta aos órgãos que regulamentam o trânsito no País pedindo mudanças urgentes no Código de Trânsito que entrou em vigor há pouco mais de um mês. O documento, assinado pelo presidente da cooperativa de Campo Mourão, José Aroldo Gallassini, diz que a nova legislação torna inviável o trabalho dos agricultores, que não podem mais trafegar com tratores e colheitadeiras nas rodovias.
A Coamo propõe a liberação do tráfego de veículos agrícolas pelas vias públicas. Pelo código, os tratores só poderão trafegar nas rodovias se forem dirigidos por motoristas com carteira de habilitação nas categorias C, D ou E. Já as colheitadeiras deverão ser carregadas em caminhões acompanhados de batedores. São exigências sem quaisquer possibilidades de aplicação na prática, ataca Gallassini.
Segundo ele, a obrigação do transporte de colheitadeiras em caminhões só vai gerar multas que resultarão em mais prejuízos para os agricultores. Quem elaborou a lei não atentou para a realidade do campo, protesta. Para ele, a exigência impede que o produtor rural exerça a atividade agrícola. Durante a colheita, são inúmeras as idas e vindas das colheitadeiras de uma propriedade para outra, explica.
O documento ressalta também que é comum pequenos produtores transportarem a produção em carretas acopladas a tratores. É mais prático e barato, salienta Gallassini. Além disso, não existe frota de veículos suficiente no interior do Estado para atender essa necessidade. Por isso mesmo, a cooperativa pede que os agriculores sem habilitação recebam uma autorização especial do Detran e da Polícia Militar para dirigir os tratores nas rodovias.
Sem-terra Gallassini classica como incoerente a exigência mínima de carteira C para os tratoristas. De acordo com ele, a maioria dos operadores de máquinas agrícolas não possui sequer habilitação e, muitas vezes, são até analfabetos. Pelo código, para ter a carteira C é preciso ter a carteira B por pelo menos um ano. Como eles vão trabalhar na safra?, questiona o líder cooperativista. Perderão seus empregos e suas safras?
No final do documento, Gallassini chega a comparar o transtorno causado pelo novo código com as invasões de sem-terra, que ameaçam a paz e a tranquilidade no campo. São problemas que só trazem desânimo a quem quer trabalhar.


