A Cooperativa Agrícola Consolata (Copacol), de Cafelândia (50 km ao norte de Cascavel) quer chegar ao final de 99 com todo o quadro de funcionários com escolaridade mínima de 8ª série. A meta deve ser alcançada através do projeto ‘‘Volta às Aulas’’, iniciado há 2 anos, e que em setembro rendeu à cooperativa o prêmio ‘‘Educação para Qualidade do Trabalho’’, entregue pelo ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, ao presidente da Copacol, Valter Pitol.
A cooperativa, com 5 mil associados e 2 mil funcionários, realiza amanhã sua festa de 35 anos de fundação, completados ontem. O programa está sendo apresentado durante as celebrações e o prêmio como sua principal realização no plano social. Segundo Pitol, a escolarização resulta em melhor qualificação dos funcionários para o trabalho e também lhes permite ‘‘o crescimento como seres humanos e o desenvolvimento de seu senso crítico’’.
O programa, extensivo a familiares dos funcionários, é desenvolvido através de convênio com a Secretaria de Estado da Educação (ensino supletivo), e parceria com as prefeituras de Cafelândia e Nova Aurora, onde há entreposto da cooperativa. O supervisor de Recursos Humanos da Copacol, Sérgio Khun, diz que o ‘‘Volta às Aulas’’ foi idealizado a partir da implantação do Programa de Qualidade Total 5S. ‘‘Foi quando observamos que havia muitas deficiências na escolaridade do pessoal’’.
Cooperativa, Estado e municípios dividem custos da contratação de 40 professores, material didático e transporte dos alunos, e as aulas são realizadas em escolas regulares. No primeiro ano do programa, 460 funcionários foram às aulas de 1º grau. Este ano, 450 serão formados no 2º grau. Segundo Khun, ao mesmo tempo em que estimula a escolarização básica de todos os empregados, a cooperativa decidiu só contratar trabalhadores que tenham o 1º grau completo.
O vigia Luiz Estecoeter, 56 anos, há 13 anos na cooperativa, é um dos que retornaram às aulas e está completando o 2º grau depois de ter parado na 4ª série do 1º grau. Luis, que domina razoavelmente o idioma espanhol porque já morou no Paraguai, quer agora aprender o inglês. Ele tem a expectativa de conquistar ‘‘avanços no emprego’’ para ganhar mais que os atuais R$ 430,00 mensais. A cooperativa trabalha com exportações e quem dominar o inglês pode ser valorizado profissionalmente.
Os analfabetos são menos de 2% dos 2 mil funcionários, que atuam em funções para as quais, a princípio, não se exige qualificação, como carregadores ou auxiliares de seus frigorífico de frango. Mesmo assim, a cooperativa está empenhada em eliminar o analfabetismo entre seus funcionários. Sérgio Khun relata que, além da decisão política da cooperativa de escolarizar todos, isto lhes permite automaticamente se candidatarem a funções com melhor remuneração.
O prêmio do Ministério da Educação para o programa ‘‘Volta às Aulas’’ destaca ações de entidades públicas e privadas voltadas à superação do analfabetismo e universalização da oferta do ensino fundamental. Este ano, 300 programas foram inscritos e a Copacol concorreu com organizações de grande porte, como a Usiminas e a Açominas. A cooperativa é a primeira fundada no Oeste paranaense e, segundo a Fundação Getúlio Vargas, ocupa o primeiro lugar no ranking nacional da avicultura, com a produção em granjas e o complexo frigorífico.Mário VicenteNo primeiro ano do programa, 460 funcionários frequentaram o 1º grau; este ano, 450 se formam no 2º grauPaulo Pegoraro

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