Curitiba

Kraw PenasSilva: colchões pelo chão e bom humor para receber dez parentesFérias em família também causam estresse. Pessoas que vivem em casas e até cidades distantes, com hábitos e rotinas diferentes, acabam dividindo o mesmo teto. Fila para o banho, revezamento para lavar a louça e cozinhar, passeios em grupo. Tudo pode ser motivo de conflito ou de auto-conhecimento. Segundo o psicoterapeuta familiar Mário Negrão, este tipo de estresse é necessário e positivo porque as pessoas redescobrem suas raízes e exercitam o equilíbrio emocional.
Mário Negrão explica que existem basicamente quatro fatores estressantes nas férias em família. A proximidade traz à tona conflitos que estavam diluídos pela distância e ainda expõe a intimidade das pessoas. A competitividade é outro fator estressante, pois quando a família se reúne começam as comparações sobre quem tem o carro mais bonito ou o filho mais inteligente, qual o casal que vive melhor ou tem situação financeira privilegiada. O quarto fator é a presença de um membro da família que rouba a cena para expor seus problemas e amarguras.
A melhor maneira de lidar com a situação, segundo Mário Negrão, é dividir tarefas e criar regras de convívio durante o período de férias. Na praia, por exemplo, pode ser gratificante dar uma geral na casa, pintando ou arrumando o jardim. Outra dica do psicoterapeuta é estabelecer hora certa para as refeições e até cronometrar o tempo permitido para o banho de cada um.
A estudante Juliana Guimarães de Sá Ribeiro, 20 anos, confirma que dividir tarefas é a melhor solução. Na casa de praia da família ficam em média nove pessoas que fazem escala para lavar a louça e cozinhar. Durante o ano, ela mora longe dos pais e considera as férias o momento ideal para reunir a família.
O economista Pérsio Leonardo de Oliveira e Silva, 48 anos, recebeu neste feriado dez pessoas da família. Para instalar todos, espalhou colchões pela casa e o irmão que ronca acabou sendo expulso para dormir na sala. ‘‘É preciso ter bom humor para que a reunião seja agradável, afinal tem muita gente em depressão por causa da solidão nas festas’’, ressalta. Pérsio de Oliveira e sua mulher prometem todo ano não receber tanta gente na próxima vez, mas quando chega o período das festas acaba sendo inevitável. A dona da casa, segundo ele, sempre é quem trabalha mais.
A funcionária pública Florize Herrmann, 47 anos, prefere passar a noite de Ano Novo apenas com o marido e os filhos, assim como as férias na praia, para preservar a privacidade. Hoje, no primeiro dia do ano, mais de trinta pessoas da família dela se reúnem para o almoço. ‘‘Cada um leva um prato, a gente almoça, conversa, mas no final do dia cada um vai para o descanso de sua própria casa’’, conclui.

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