Convivendo com uma pessoa imaginária
Curitiba - "Existem experiências traumáticas, vividas por algumas famílias, que demoram gerações para serem esquecidas. Às vezes, o assunto não é verbalizado mas o sentimento persiste", explica a psicóloga Denise Regina Bernert. Isso geralmente ocorre em casos de sumiço de crianças. Uma mãe que teve o filho desaparecido passa o resto da vida a se relacionar com a criança de forma imaginária. Pergunta-se se ele está sofrendo, se alimentando, brincando, e, o que causa maior sofrimento, se o filho ainda lembra dela. "Isso traz uma tristeza muito grande. Ela se considera uma mãe fracassada."
Desse sofrimento surgem doenças físicas, crises e angústias, tanto na área profissional como na pessoal. Em alguns casos, o casal resolve engravidar novamente, mas acaba não adiantando, pois a dor persiste. A nova criança já nasce com uma missão e acha que ela não é importante por si, mas para substituir outra pessoa.
Quando um filho morre, o processo de luto começa e os familiares e amigos passam a conviver com a pessoa na memória. Mas, como se relacionar com alguém que desapareceu e pode surgir a qualquer momento? O cordão umbilical da mãe permanece como uma ferida aberta.
Cuidados
A melhor maneira de evitar ter um filho desaparecido é conversar com a criança. "Elas precisam aprender a se defender, mas evitando a ansiedade e a paranoia com esse tipo de assunto", alerta a psicóloga. Ela explica a importância de falar que, se algum adulto estranho conversar com ele e não houver algum conhecido por perto, o ideal é sair de perto e relatar o que aconteceu para os pais. Se o filho perguntar o motivo, é melhor falar sobre a existência de adultos que não gostam de cuidar de crianças. "Os conselhos aos filhos devem ser curtos e claros e não serem repetidos o tempo todo", conta Denise. (D.C.)





