Ao longo da história, o homem desenvolveu diversos meios para auxiliá-lo no transporte de mercadorias e para sua própria locomoção. Eles interferiram e muito no modo de vida da sociedade. A FOLHA conversou com moradores de regiões próximas ao Aeroporto Governador José Richa, ao Terminal Rodoviário e à linha ferroviária de Londrina, para conhecer histórias de pessoas que viram o desenvolvimento desses locais e convivem com suas vantagens e desvantagens.
Há 11 anos morando no bairro Aeroporto (Zona Leste), a aposentada Nereide Pedro Bortolato, 77 anos, revela que acompanhou o crescimento da área e hoje tem dificuldades para conviver com o barulho decorrente das decolagens e pousos dos aviões.
A aposentada conta que saiu de Itápolis (SP), em 2000, para morar com os três filhos em Londrina. ''Eles insistiam muito para que eu viesse para cá ficar com eles e como minha mãe estava doente e logo faleceu, cheguei à conclusão que não havia mais motivos para continuar lá'', diz.
Nereide acrescenta que com o passar dos anos aprendeu a gostar do bairro, mas o que continuou atormentando-a é o barulho. ''Tenho problema para dormir e preciso tomar calmante, então quando eu ouço aquele som deles de madrugada, já acordo assustada.''
''Agora dizem que vão aumentar o aeroporto, estamos assustados com essa possibilidade'', afirma Nereide. ''Antigamente o barulho não era tão estridente, mas agora enche mesmo a paciência.''
A aposentada Ioni Candida Jesus da Silva, 80, moradora do bairro há 46 anos, ao contrário de Nereide explica que, apesar do alto barulho, já se acostumou com o local. ''O som é bem alto mesmo e tem pouso e decolagens várias vezes ao dia, mas tem uma hora que nem incomoda mais, ainda mais para mim que uso aparelho auditivo'', explica.
Ioni conta que veio São Sebastião do Paraíso (MG) para Londrina em 1965, casou-se e logo mudou-se para a região com marido e os três filhos pequenos. Segundo ela, a mudança ocorreu, na época, porque aquele era o bairro mais próximo de seu trabalho, no Hospital Clarentiano, hoje Hospital Universitário.
As colegas revelam que hoje o maior medo de morar próximo ao aeroporto é em relação a acidentes aéreos. ''Teve uma vez que um avião invadiu o muro de uma casa aqui perto, teve outra vez que chegou a arrancar o telhado de uma casa'', conta Nereide. ''É claro que assusta, mas tem deixar na mão de Deus.''
Apesar dos incômodos, as duas colegas afirmam que amam o local e que não pretendem deixar o bairro. ''Tenho vários amigos aqui e, fora o barulho dos aviões, é um lugar bem tranquilo'', diz Nereide.

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