O tempo passa para todos e, por isso, aqueles que encaram a velhice como uma ''doença'' devem rever os conceitos desde já. O processo de envelhecimento começa muito antes do que se possa imaginar e o caminho para chegar à melhor idade com qualidade de vida também depende dos hábitos adotados desde o nascimento.
Quem explica melhor essa questão é o médico londrinense Wesley Vilas Bôas de Oliveira, que possui uma experiência de 37 anos em estudos e aplicações em geriatria. ''Aos 20, nós já começamos a apresentar alterações na aorta. Aos 30 e 40, elas envolvem também as artérias coronárias e quando se atinge os 60, são as artérias cerebrais que sofrem grandes mudanças'', afirma.
Em muitos anos dedicados à geriatria, Oliveira observou é que comum os filhos não quererem assumir a responsabilidade de cuidar dos pais, quando eles se encontram em estágio avançado. ''Pode ser pela situação financeira, por falta de conhecimento ou por descaso mesmo. Essa condição de 'abandono' só piora o quadro do idoso, que vai entrar em depressão e inspirar mais cuidados'', explica.
Ele reforça que a melhor hora de buscar um cuidado específico é quando o idoso passa a gerar grande preocupação na família. E a decisão de quem irá assumir a responsabilidade também deve ser dos familiares mais próximos. ''Não sou contra a asilagem, mas se possível o melhor é manter o idoso em casa. A presença familiar nessa hora é muito importante. O idoso precisa de toque, carinho e o calor humano'', ressalta.
Em casa, ele também estará familiarizado com o ambiente e próximo aos seus pertences. Isso o ajudará a manter a própria identidade, mesmo que ele esteja em um estado mais progressivo da velhice. ''Avalie alguém de confiança para ficar com o idoso. Se a pessoa estiver em um estágio que requer muitos cuidados médicos e tratamento específico, o ideal é buscar um profissional especializado'', orienta.

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