''Tem gente que fala que falo demais. Falo mesmo, mas o que eu gosto mesmo é de conversar.'' É assim que a dona de casa Terezinha Sebastiana de Jesus Rocha, 79 anos de idade e seis de participação no Centro Dia, define o próprio comportamento. E dessa forma encarna o ideal das atividades do grupo, cujo objetivo primordial é proporcionar um ambiente de convivência e combater a solidão entre os idosos.

Ela conta que ficou sabendo do grupo por uma reportagem na televisão. A partir de então, não sossegou. Ligou tantas vezes para os responsáveis pela triagem que venceu pelo cansaço. ''Eles disseram que iam fazer a visita porque não aguentavam mais minhas ligações'', revela, aos risos. Apesar da grande oferta de atividades, Terezinha diz que gosta mesmo é de bater papo. ''Enquanto eu tiver saúde e perna prefiro vir aqui. É a minha casa'', diz.

Uma das colegas mais experientes - num local onde experiência é o que não falta - é Alaíde Francisca do Nascimento Araújo, 75. Participante desde o início, ela diz que não gosta de ficar parada. E é uma das mais assíduas nas atividades promovidas pelo Centro Dia. Não importa se é crochê, artesanato ou pintura. ''Não é que estou me gabando, não. Mas o que vier eu faço'', afirma a pernambucana de Garanhuns.

Até porque a preguiça nunca fez parte do vocabulário de Alaíde. Hoje, faz colchas e tapetes de crochê. Como tem ''desgaste nos ossos'', por um tempo passou a usar um banquinho para fazer o serviço de casa. Na juventude, no entanto, fez de tudo, até tirar tora do mato e abrir ''carreador'' a machado. O resultado de tanto serviço pesado é a dificuldade para caminhar. ''Só não sou mais feliz porque não consigo andar direito. Mas estou cumprindo a minha sina. E 'batendo o cartão' aqui, todo dia'', assevera. (F.R.F.)

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