Convivência de risco
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terça-feira, 28 de maio de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Uma semana após o acidente que vitimou uma idosa no cruzamento das ruas Sergipe e João Cândido, no centro de Londrina, a situação no trânsito não mudou: pedestres e motoristas continuam se arriscando em atitudes irresponsáveis. Pedestres atravessando fora da faixa ou com o semáforo fechado para si são apenas alguns exemplos. Mesmo com o tempo chuvoso e o risco de cair, a reportagem flagrou na manhã de ontem várias pessoas atravessando a João Cândido correndo, no meio da quadra. O cruzamento é um dos mais movimentados da cidade, com o agravante de que se trata de passagem de veículos do transporte coletivo.
Abordada pela reportagem, uma senhora afirmou se lembrar do atropelamento que vitimou Luíza Marley Sanglard, de 75 anos, mas disse que nem havia prestado atenção sobre ter atravessado a rua no local inadequado. "Estou com pressa, só vim buscar uma encomenda aqui no centro. Tenho medo sim de ser atropelada, mas olhei e não vinha carro", disse, se contradizendo.
Trabalhando há dois anos em uma loja de calçados na esquina problemática, a vendedora Marciana Aparecida Ferreira dos Santos contou que é comum ver pessoas atravessando as ruas no meio da quadra, às vezes entre os carros, o que oferece o risco extra de ser atropelado por uma moto que estiver passando pelo corredor de veículos. "Os ônibus descem muito embalados e os carros aceleram para passar no sinal amarelo, mas acabam passando no vermelho. As pessoas de mais idade também não prestam atenção no semáforo", enumerou.
Também trabalhando no centro, a vendedora Débora Moraes afirma andar muito a pé pela região e considera o trecho próximo ao Restaurante Popular, no cruzamento da João Cândido com a Avenida Leste-Oeste bem mais perigoso para os pedestres. "Os carros nem esperam o semáforo abrir direito para sair e não param logo que fica vermelho também", explicou.
A dona de casa Joana Bezerra da Silva contou que sempre atravessa a rua correndo, mesmo quando o semáforo está aberto para ela. "Às vezes as pessoas demoram muito para atravessar e os carros não esperam; quando fica verde eles já saem correndo. Então é melhor a gente correr mesmo."
Insuficiente
Embora muitas vezes as pessoas atravessem respeitando o semáforo, o tempo pode se mostrar insuficiente. A reportagem cronometrou o tempo destinado à travessia dos pedestres após o cruzamento, tanto na João Cândido quanto na Sergipe, e detectou que são apenas 10 segundos.
Entre os motoristas, as reclamações são de que os pedestres também não respeitam o seu tempo no semáforo, se arriscando na travessia em local e momento inadequados. Alguns, entretanto, reconhecem que o tempo pode ser pequeno, como o vendedor Ronilson César. "Passo sempre por aqui e percebo que o semáforo abre muito rápido para os pedestres, que acabam tendo dificuldades em chegar ao outro lado em segurança", aponta.
Rotatória
Outro ponto de conflito é a Rotatória dos Pioneiros, localizada próximo à Catedral. Lá a maior dificuldade é de quem tenta atravessar a Rua Souza Naves ou a Avenida Celso Garcia Cid. O comerciante José Rodrigues Batista, que trabalha no local, afirma que é comum ouvir buzinas e xingamentos de motoristas e pedestres, que não se entendem em quem tem preferência. "O pedestre chega e acha que pode passar. Se o motorista para, congestiona tudo. Talvez um semáforo melhorasse a região", apontou.
O economista Valdomiro Pinheiro teve sorte e não precisou de muito tempo para atravessar a rua Souza Naves, mas reconhece que o local é complicado. "Acho que aqui falta um semáforo para pedestres. E também é necessário respeito mútuo entre motoristas e quem anda a pé."
A secretária Lígia Nicolini trabalha em um prédio na região e afirmou que passa pelo cruzamento todos os dias. "Aqui na Souza Naves é difícil, mas na Celso Garcia é mais ainda. E com essa faixa apagada, a gente fica em dúvida se pode atravessar ou não, se os carros deveriam parar. Os motoristas estão sempre com pressa e passam por cima da gente, principalmente os mais jovens", reclamou.


