''A índole do nosso povo é muito religiosa. Todas as vezes em que usamos Deus no nosso trabalho, este adquire mais humanidade. O Direito é um conjunto de regras, e se formos tratá-lo de forma mais fria fica desumano'', avalia o advogado Geraldo Saviani da Silva.
Saviani é espírita, e, apesar de não trabalhar na área do Direito Penal, é favorável ao uso de cartas psicografadas para auxiliar nos processos dessa área. ''Acredito realmente que eles (os mortos) se comunicam. Mas o juiz tem de ser parcimonioso. Não daria mais valor a uma carta psicografada do que a uma pessoa que viu o crime. Não há prova que vença a testemunha ocular'', afirma.
O advogado lembra que a prova é um elemento de convicção. ''Uma prova pode ser convincente para mim, mas para você não significar nada. Além disso, quando uma pessoa dá um testemunho, não se coloca em dúvida a honestidade dela. Também é possível forjar documentos'', adverte, acrescentando que, nesse contexto, a carta psicografada seria mais um elemento que poderia contribuir para inocentar ou culpar alguém. ''A carta não vai adiantar se estiver em contrariedade com outros elementos do processo'', argumenta, lembrando que a credibilidade dos envolvidos também interfere no peso que a carta pode ter.
Para Saviani, o juiz é incumbido de uma missão difícil, precisando decidir em qual elemento pôr mais fé, e, por se tratar de um ser humano como todo mundo, decide de acordo com suas próprias convicções. ''É impossível não ser assim'', assevera. Nesse sentido, o advogado acredita que ter uma convicção religiosa pode contribuir nas decisões, tomando-as com uma sensibilidade maior. ''A crença de que há uma justiça divina levaria a um cuidado maior nas decisões, com a consciência de que não se está apenas cumprindo as leis, mas tomando uma decisão que vai gerar consequências na vida de muitas pessoas. Se o juiz crê em Deus e acredita que presta contas a ele, independentemente de ser espírita ou de qualquer outra religião, dedica uma atenção maior ao problema'', opina.

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