Arquivo FolhaRogério Mauro afirma que Bugrão era um homem truculentoConversas incluem propostas de pressão
  O sistema de organização do MST também é descrito nas conversas grampeadas. Num diálogo, as lideranças tentam encontrar uma saída para desacelerar as desocupações. Eles pretendiam mobilizar a imprensa, tanto nacional como internacionalmente, realizando um ato que levantasse o moral dos agricultores.
  Gilmar Mauro, da direção nacional do MST, estava em Querência do Norte no dia 18 de maio, e conversou com João Pedro Stédile, outro líder nacional, para trazer o presidente de honra do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva, o que acabou não acontecendo. Na fita, ele afirma que era preciso impor uma derrota ao governo.
  Em outra conversa Roberto Baggio, um dos coordenadores estaduais, sugere a Jaime Dutra, líder em Querência do Norte, denunciar o caso das desocupações violentas para entidades internacionais de direitos humanos, como a Anistia Internacional. Dentro do estado, Baggio considerava a imprensa totalmente manipulada.
  Marcha - Uma das alternativas apresentadas foi a realização de uma marcha à Curitiba, que saiu de Ponta Grossa no dia 1º de junho. Jaime Dutra pede ao líder do Noroeste, Sebastião Oliveira, que ajude para arrecadar dinheiro, remédio, lona e comida. Para conseguir isto, Oliveira se propõe arrumar donativos em paróquias.
  Na estimativa de Dutra, seria preciso juntar roupas, colchões e cobertores para três mil pessoas. Este material seria pego em caminhões. Dutra pedia pressa. O que você conseguir de dinheiro, por exemplo, se puder ir passando pra conta aqui, afirmou o líder.
  A mobilização deveria incluir também as agências do Banestado. Vamos organizar faixas, pichar o asfalto. Só organiza o povo e fica na moita, afirmou. Se pudesse organizar uma faixa para colocar em frente às agências do Banestado, tarjas pretas, pichação: Lerner nazista, torturador de agricultor sem-terra!, finalizou.

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