Conversa de salão termina na porta
Entre tantos ''psicólogos'' que encontramos no dia a dia, a esteticista Marlene Santos Martinez, 38 anos, é outro exemplo. Trabalhando com estética corporal e depilação há mais de 18 anos, está acostumada a ouvir suas clientes, já que muitas delas estão toda semana no salão.
''Tem cliente que me acompanha há 12 anos e, querendo ou não, a gente acaba dando uma de psicóloga, já que muitas delas dividem coisas íntimas. E quando você pega uma intimidade, elas já não querem mais que você só escute. Elas querem uma opinião sincera'', explica Marlene.
Em sua maca, Marlene já ouviu mães reclamando dos filhos e namoradas reclamando dos parceiros. ''Relacionamentos e família são os assuntos que mais são ditos aqui'', brinca ela, que acredita que isso é mais um voto de confiança das clientes do que a falta de ter com quem conversar. ''Um dia, uma mulher entrou no salão e eu não tinha muita intimidade com ela. Mas ela pediu para eu a atendesse e, logo em seguida, estava aos prantos, na minha frente. Ela chorava tanto que eu não sabia o que fazer. Ela estava desesperada'', lembra.
O motivo era a fase difícil que o casamento atravessava. ''Ela desconfiava que o marido estava com uma relação extraconjugal e, na aflição, queria fazer um escândalo diante de todos familiares e conhecidos. A única coisa que eu podia fazer era conversar, escutar e tentar acalmá-la'', diz.
Depois de muitas horas, Marlene viu a cliente deixar o salão bem mais conformada e relaxada. ''Uma semana depois, ela deixou uma carta para mim, agradecendo tudo o que tinha feito por ela, já que depois daquele dia o casal conversou e se acertou. Isso me deixou bem feliz porque ela lembrou de mim'', conta.
E como todo mundo está acostumado a saber que em um salão pode acontecer de tudo, já houve até casos em que mães de estudantes, que vieram de outra cidade, ligavam no salão só para saber se a filha andava aprontando demais e estudando de menos. ''Elas sabem que as filhas frequentam aqui e ficam curiosas. Mas não cabe a mim ficar falando da vida de ninguém'', comenta ela, ao provar também que conversa de salão termina na porta de saída e, portanto, quem quiser aproveitar para se cuidar e ainda desabafar é só agendar um horário. (M.O.)





