Um convênio assinado ontem entre prefeituras municipais, governo do Estado, comunidades indígenas e Funai deverá trazer novas perspectivas para os índios paranaenses nos próximos três meses. O Paraná possui hoje cerca de 10 mil índios, divididos em 17 reservas, que apresentam uma série de problemas principalmente de ordem financeira. A idéia com o programa ‘‘guarda-chuva’’, ou seja de ampla atuação, é minimizá-los com o desenvolvimento de projetos nas áreas de educação, saúde, meio ambiente, agricultura e pecuária.
‘‘Sabemos que as dívidas existem’’, assume o presidente da Funai, Márcio Lacerda. ‘‘Mas elas não são nem dos índios, nem do governo. São nossas e pretendemos saudá-las. O que queremos com este programa é aprofundar uma parceria para que possamos realmente achar uma solução, se não para a dívida, pelo menos para os problemas gerais da sociedade indígena’’.
Segundo as lideranças indígenas, a dívida da Funai no Paraná já chega aos R$ 310 mil. Valor que os impede até mesmo de comprar as sementes para o plantio da próxima safra. Foi por causa disso, por exemplo, que os índios da reserva de Mangueirinha, no sudoeste do Estado, fecharam há cinco dias, o entroncamento das BRs 373 e 281. ‘‘Viemos com uma pauta de reivindicações para que o presidente da Funai assine’’, explica Valtir José dos Santos, o cacique da reserva. ‘‘Se ele não puder cumprir com ela, ele que avise para que tomemos outras providências. Temos vários problemas, mas o que mais nos assusta é o da agricultura. Está chegando a época do plantio e não temos previsão de receber sementes para plantar’’. A ameaça é de que os índios voltem a fechar as rodovias, não para um protesto, mas para a implantação de um posto de pedágio. O convênio, assinado entre governo e Funai, será coordenado pela Assessoria Especial para Assuntos Indígenas da Casa Civil e prevê inicialmente uma visita as reservas das tribos kaigang, guarani, xokleng e xetá espalhadas pelo Estado. Só para a agricultura, principal questão apontada pelos índios, a previsão orçamentária chega aos R$ 500 mil.

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