Controle de venda de remédio é inadequado
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domingo, 22 de abril de 2001
Agência EstadoDe São Paulo 
O Brasil continua longe de manter um controle adequado sobre a venda de medicamentos. Na semana passada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a probição da venda de uma série de remédios, como o popular Merthiolate, que está sendo recolhido. Mas o consumidor pode continuar levando para casa antibióticos, antiinflamatórios, descongestionantes nasais e muitos outros remédios de tarja vermelha, que só deveriam ser vendidos com receita médica. O rigor aqui está só no papel, diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos ou na Inglaterra, por exemplo.
Quem já viveu lá fora sabe ser muito difícil comprar remédio sem receita. Por qualquer dorzinha, eu tinha de ir primeiro ao médico e só depois à farmácia, conta a professora Mariângela Del Negro, 38 anos, que morou oito anos nos Estados Unidos. O único remédio que ela conseguia comprar livremente era aspirina.
Mesmo com a receita, Mariângela conta que as farmácias norte-americanas só vendem a quantidade de comprimidos estipulada pelo médico. Uma vez fui parar no pronto-socorro com muita dor abdominal e o médico receitou-me sete comprimidos de Aspirina 3, um tipo mais forte do remédio de venda livre, lembra. Só pude comprar os sete comprimidos, nem um a mais. Para driblar tamanha rigidez, Mariângela aproveitava as visitas que fazia ao Brasil para levar um verdadeiro arsenal de remédios daqui, inclusive aqueles que deveriam ser vendidos só sob prescrição médica.
Há 14 anos no Brasil, o norte-americano Charles Castleberry, não sucumbiu às portas abertas das farmácias brasileiras. Ele nunca toma remédios sem consultar o médico. Segundo Castleberry, se uma farmácia dos Estados Unidos vender remédio sem receita, é denunciada e perde a licença.
É preciso fazer cumprir a lei da venda de remédios com receita médica, alerta José Ruben Bonfim, coordenador-executivo da Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos. A Anvisa reconhece o problema, mas ainda não tem soluções. Não há como controlar a venda sem receita, a não ser que mantivéssemos um fiscal em cada farmácia, o que é impossível, diz Maurício Vianna, gerente-geral de medicamentos da Anvisa, culpando ainda a forte cultura da automedicação no Brasil.


