Curitiba - Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), maior instituição pública de ensino superior do Estado, encontrar alunos fora das salas durante horários de aula é mais comum do que se imagina. Uma visita ao Centro Politécnico, principal campus da instituição em Curitiba, comprova o fato. Apesar de comentarem o assunto, cada um defendendo seu lado, poucos são os estudantes ou professores que se deixam identificar.
''O aluno tem consciência do que está fazendo'', defende um estudante de Engenharia Cartográfica da UFPR. ''Quando alguém sai de uma aula, ou é porque ela não vai acrescentar nada ou porque o professor é muito ruim'', acrescenta. Segundo ele, os universitários costumam ''matar'' as aulas que consideram menos ''profissionalizantes''. Ou seja, aquelas que não tratam diretamente da futura atividade profissional do estudante, mas que podem servir de apoio para ela.
Para ele, nem mesmo as diferentes fórmulas usadas pelos professores para controlar a presença impedem que os alunos saiam das salas. ''É indiferente para o aluno. O que acontece é que tem alguns professores que não cobram tanto, mas outros percebem e acabam anulando a presença'', diz o estudante. Apesar de confessar que ''mata'' algumas aulas, o estudante afirma que isso não vai prejudicar sua formação acadêmica. ''Em muitos casos, é mais importante o que você estuda fora da aula do que aquilo que aprende dentro da sala'', justifica.
O assunto também gera polêmica entre professores. Mas, com medo de entrar em atrito com os alunos, eles também preferem não se identificar. É o caso de dois docentes ouvidos pela reportagem. ''A atitude de responder a chamada e sair da aula queima o filme da turma perante o professor'', confessa um deles. Para ele, os métodos usados pelos alunos para burlar o controle de presenças traz prejuízos à universidade. ''Esses alunos não assistem às aulas e, mesmo não reprovando por faltas, muitos acabam reprovando por notas baixas. Com isso, podem pedir a abertura de novas turmas daquela matéria no semestre seguinte, o que não aconteceria se a reprovação fosse por faltas'', explica.
Para outro professor, um dos principais motivos para o grande número de ''matadores'' de aulas é justamente a dificuldade em se encontrar um meio eficiente para controlar a presença. ''Às vezes temos turmas muito grandes e não há tempo para ficarmos fazendo chamadas. Então temos que passar listas, o que abre espaço para falsificações de assinaturas'', diz.(Rodrigo Lopes)

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