Controle de infecção não é total no PR
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Vinte e nove por cento dos hospitais do Paraná não fazem o controle de infecções em suas dependências. De acordo com a Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde, um dos responsáveis por fiscalizar as instituições de saúde no Paraná, esses estabelecimentos não possuem Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), órgãos internos que realizam a vigilância de micro-organismos, mapeiam a incidência de patógenos causadores de infecções e desenvolvem políticas internas de prevenção. De acordo com a secretaria, o Paraná tem hoje 499 hospitais. Em mais de 150 deles não existe o controle da ação de bactérias.
A maior incidência de estabelecimentos que não realizam o controle de contaminações está espalhada pelo interior do Estado -são instituições de menor porte, onde o volume de procedimentos complexos (mais vulneráveis a infecções) é menor. Por isso, de acordo com a secretaria, não há uma relação entre o número de contaminações e os hospitais sem comissão. O problema é que um estabelecimento sem CCIH não tem como detectar possíveis infecções. No restante dos 71% dos estabelecimentos com comissões formadas, em 89% elas são atuantes, segundo a secretaria.
Para Maria Aida Meda, chefe da Divisão de Vigilância Sanitária e Serviços da secretaria, o número de instituições de saúde com CCIH é razoável, se comparado a outros estados. As CCIH são de responsabilidade dos próprios estabelecimentos, que, por sua vez, são fiscalizados pelas vigilâncias sanitárias municipais e estaduais, além da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No Paraná, 22 regionais fazem a inspeção dos hospitais.
De acordo com Maria Aida, a existência de instituições sem CCIH não ocorre por falta de fiscalização. Segundo ela, o órgão faz seu trabalho, mas muitos hospitais não atendem à determinação. Nesses casos, podem receber multas ou serem interditados. Em cada fiscalização, a vigilância avalia não apenas a existência de CCIH, mas também a estrutura física, recursos humanos, realização de procedimentos, desinfecção de materiais, entre outros.
Uma das medidas da Secretaria de Estado de Saúde para mapear o problema é a implantação do Sistema Online de Notificação de Infecções Hospitalares, em que os próprios hospitais vão informar suas taxas. De acordo com Ana Maria Manzochi, farmacêutica responsável pelo Programa de Infecção Hospitalar do Estado, o sistema vai permitir que os estabelecimentos comparem os dados de forma mais ágil. Ela diz que ele deve estar no ar a partir do dia 15 de maio, quando também estarão disponíveis os números de infecção de 2008.
Para o presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado do Paraná (Fehospar), Renato Merolli,®MDBO¯ ®MDNM¯as instituições deixariam de atender a®MDBO¯ ®MDNM¯legislação por problemas de ordem econômica. ''A causa é essencialmente financeira. Hoje, os hospitais encontram enormes dificuldades até para o pagamento de seus profissionais'', disse.
Merolli explica que a situação é ainda mais grave no Interior. ''Em grandes cidades os hospitais têm uma demanda atendida por planos de saúde. Já no interior há os que dependem quase exclusivamente do SUS e os recursos não são suficientes''. Ele conta que os baixos repasses acabam gerando uma deficiência de leitos custeados pelo sistema e uma superpopulação a ser atendida por esses leitos, o que dificultaria o controle.
A presidente da Associação Paranaense de Controle de Infecção Hospitalar, Maria Edutania Skroski Castro, concorda que o fator financeiro é considerável. No entanto, ela ressalta que manter uma CCIH é obrigatório e acredita que é preciso ver o controle de infecções por outro aspecto. Para Maria, o que poderia ser encarado em um primeiro momento como custo acaba gerando economia aos hospitais. ''Tratar infecções custa caro'', alerta. (Colaborou Karla Losse Mendes)


