O promotor de Proteção e Defesa do Meio Ambiente, Saint-Clair Honorato Santos, considera necessária mudança nos parâmetros de medição da qualidade do ar de Curitiba. Apesar de entender que a cidade não tem altos níveis de poluição, o promotor entende que a atual base de medição não levaria em conta problemas associados a topografia e variações climáticas locais. Essa posição de Santos é apoiada pelas entidades ambientais, mas contestada pelo IAP, que afirma que o padrão utilizado é o internacional. Este assunto será discutido hoje num seminário sobre a qualidade do ar, promovido pela promotoria.
Santos diz que seria necessário estabelecer padrões efetivos de emissão de resíduos na atmosfera. ‘‘Na cidade, acontecem situações particulares, como a inversão térmica no inverno, que afetam a qualidade do ar’’, afirma. ‘‘Essas modificações climáticas poderiam mascarar as medições das estações’’, complementa Sarah de Azevedo Kobel, da entidade ambiental Xama. Mas, para Ana Cecília Nowacki, chefe da divisão de tecnologia ambiental do IAP, esta posição estaria equivocada. Ela diz que a posição geográfica da capital paranaense contribui para facilitar a dispersão dos poluentes. O território do município está localizado numa região de planalto, com ventos que espalham a poluição.
Ana Cecília Nowacki explica que os parâmetros estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) considera seis níveis de qualidade do ar: boa, regular, inadequada, má, péssima e crítica. Segundo o IAP, na estação de ar na região central da cidade (na Santa Casa), o índice de poluição vem se mantendo no parâmetro bom há dez anos.
Para Sarah Kobel, do Xama, o índice do IAP não estaria conseguindo medir a poluição produzida pelas indústrias. Ela argumenta que as empresas e hospitais estariam poluindo em grande escala a cidade. ‘‘A incineração de lixo hospitalar é um sério problema em Curitiba’’, diz. Porém, Ana Cecília, do IAP, diz que a maior agressão contra o meio ambiente da cidade não é das indústrias mas de carros mal regulados.

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