Controle aéreo em mãos femininas
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quarta-feira, 13 de agosto de 2003
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Para pousar e decolar aviões, são necessários mais profissionais do que pilotos e co-pilotos. No Aeroporto de Londrina, por exemplo, uma equipe de 39 pessoas trabalha, em esquema de escala, para garantir a segurança e eficiência dos movimentos. Uma tendência observada nos últimos anos é a participação feminina na área. Na equipe local, são 14 mulheres. Inclusive a superintendência é responsabilidade de uma representante do sexo feminino.
O trabalho da equipe está dividido entre os profissionais das salas de tráfego, telecomunicações, meteorologia e controle de tráfego aéreo. Outras três mulheres atuam no Centro de Operações Aeroportuárias (COA), responsável pelo atendimento informativo dos vôos. Pelo menos três empresas aéreas com vôos de rotina em Londrina possuem mulheres pilotos em seus quadros. ''Tem existido maiores oportunidades para as mulheres no ramo. Houve uma abertura maior desde que a empresa foi criada'', declarou a superintendente da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), Rosemayre Malhorquim Ferreira Corrêa.
Maria Terezinha Pavan Cordeiro, 43 anos, atua como controladora de tráfego aéreo desde 1998. ''Nossa principal função é organizar, manter o tráfego aéreo rápido e seguro'', explicou. Ela revelou que o interesse pela profissão surgiu quando morava nos Estados Unidos e pelo fato do marido ser piloto. De volta ao País, foi aprovada em concurso e fez, em 1997, curso de controlador de tráfego aéreo no Instituto de Proteção ao Vôo (IPV) do Centro Tecnológico Aeroespacial de São José dos Campos (SP), única instituição nacional de formação de profissionais da área. Além do curso, os controladores de vôo passam por estágio. Para Maria Terezinha, a expansão feminina é uma ''conquista da mulher no mercado de trabalho'' e pode ser observada em diferentes setores.
Na torre de controle, atuam quatro profissionais por turno: controle de aproximação e de torre e dois assistentes. No turno da tarde de ontem, por exemplo, além de Maria Terezinha, também trabalhava Eulália Cristina dos Santos, 36. Uma das mais experientes da equipe, ela entrou no ramo por concurso da Força Aérea, realizado em 1989. ''Ao prestar a seleção, não tinha idéia do que era o trabalho. Com o curso e o estágio, me apaixonei pela função'', afirmou. Além de Londrina, Eulália foi operadora de vôo também nos aeroportos de Foz do Iguaçu e Presidente Prudente (SP).
Raquel Kovacs, 27, é a única representante do sexo feminino na equipe de cinco observadores meteorológicos. ''Fazemos nosso trabalho para dar apoio e garantir a segurança dos vôos'', destacou. Ela revelou que, antes de Londrina, trabalhou em Navegantes (SC), onde a equipe era formada por quatro mulheres e apenas um homem. ''Antes a participação feminina era restrita ao setor administrativo. Hoje, é detectada em todas as áreas da aviação civil'', afirmou a superintendente Rosemayre.


