Em uma emergência, o conhecimento do uso dos equipamentos de prevenção e combate a incêndio é determinante para o controle da situação. Por esse motivo, 100% dos funcionários de condomínios residenciais são obrigados a saber lidar com situações de emergência e a formar a chamada brigada de emergência. "Com as novas regras, além de ter equipamento em condições ideais de uso, é preciso ter uma equipe apta a utilizá-la", lembra Paulo Sérgio Barbosa, bombeiro, técnico em segurança do trabalho e instrutor da Universidade Livre do Mercado Imobiliário e Condominial (Unihab), ligada ao Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR). A obrigatoriedade da formação de brigadistas está prevista em normais nacionais e estaduais.
No fim de semana, o Secovi-PR realizou a aula prática do curso de formação de brigada de emergência, cujo certificado é exigido pelo Corpo de Bombeiros de todos os funcionários que atuam em um condomínio residencial. Caso na edificação haja poucos funcionários, é recomendado que os condôminos também participem.
O conteúdo teórico do curso, que aborda assuntos como prevenção, primeiros socorros e combate a incêndio, foi ministrado na quinta e sexta-feira passadas. No sábado, foi a vez de síndicos, porteiros, condôminos e outros participarem da aula e aprenderem como utilizar os equipamentos de combate a incêndio, cuja presença é obrigatória nos edifícios residenciais, como os extintores e os hidrantes, mangueiras, registros e chaves.
Apesar de o uso desses equipamentos parecer simples, diversos detalhes podem fazer a diferença no controle da situação de emergência. Há mais de um tipo de extintor, cada um indicado para um tipo de situação. Durante a aula prática, o instrutor demonstrou, por exemplo, que o uso de extintores que usam água não são efetivos no combate ao fogo causado por líquidos inflamáveis. Nesse caso, o melhor é usar outros tipos, como o de dióxido de carbono (CO2).
Ao utilizar o hidrante, é preciso mais de uma pessoa para manusear a mangueira. Uma equipe deve ficar posicionada na ponta, direcionando o jato de água enquanto uma pessoa fica no meio para auxiliar na locomoção da mangueira e outro grupo perto do registro para o controle da saída e da pressão da água. O uso de sinais gestuais para ações como o acionamento do jato, a mudança na pressão da água e o fechamento do registro é importante para facilitar a comunicação entre os participantes da brigada.
No combate ao incêndio também devem ser observados detalhes como dobras na mangueira, que impedem a saída de água. Vivenciar essas situações em um treinamento é importante para que a brigada de emergência se familiarize com os equipamentos e para que seus integrantes passem a ficar alertas para o que pode acontecer durante o processo. O estado de alerta é algo importante quando situações de emergência exigem que providências sejam tomadas com rapidez.
"O treinamento serve para que a brigada esteja preparada para lidar com as situações. Se não está, além de a pessoa ficar tensa, não saberá o que fazer", avisa o instrutor da Unihab. Barbosa reitera que a brigada deve estar preparada para atuar não só no combate a incêndios, mas também lidar com outras situações como vazamento de gás, vendavais e desabamentos.
A formação de brigadistas é proporcionada por instituições com profissionais formados em segurança do trabalho, primeiros socorros e combate a incêndio como engenheiros e técnicos de segurança do trabalho ou profissionais de saúde.

PROTEÇÃO
"Foi bom porque se acontecer alguma coisa, vou saber como usar os equipamentos", contou Angélica de Souza, faxineira de um condomínio no Jardim Imagawa, zona norte, que participou do curso. "Nunca imaginei como se usava (os equipamentos de combate a incêndio)", disse, por sua vez, Antônio Carlos Prol Medeiros, síndico de um condomínio na Gleba Palhano (zona sul). Junto com ele, o porteiro e outras duas moradoras participaram do curso.
Para o diretor de Condomínios do Secovi-PR, Arthur Harbs, a participação de moradores no curso é importante. "É a proteção do bem patrimonial. É algo que precisa mesmo ser ensinado até para as pessoas perderem o medo." O porteiro de um edifício do centro da cidade, Roberto Liardo, entendeu o recado. "Na hora da emergência, é preciso manter a calma, e fazer o passo a passo, executar o que aprendeu."

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