Contribuintes são reféns do 'horário' público
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quarta-feira, 09 de junho de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Para conseguir dar entrada em documentos, retirar certidões, atestados, passar por exames, fazer testes, entre outras coisas, os ''pobres mortais'' precisam se adaptar aos diferentes horários de atendimento nas repartições públicas, seja federal, estadual ou municipal. Sem ter a quem reclamar, resta aos contribuintes adaptarem seus horários aos das repartições, usando o tempo que seria de almoço ou chegando atrasado ao trabalho, por exemplo.
Levantamento feito pela Folha em 14 órgãos e repartições públicas mostra que as diferenças do horário de atendimento ao público são grandes. Para não bater com o nariz na porta, a dica é se certificar sobre o horário de abertura e fechamento da repartição a qual necessita procurar.
Nas Circunscrições Regionais de Trânsito do Paraná (Ciretran/PR), por exemplo, o atendimento vai das 8 horas às 14 horas. O auxiliar de administração Maurício Gonçalves, 23 anos, foi renovar sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em Londrina e reclamou. ''Acho que os horários deveriam ser padronizados. As filas poderiam ser menores e facilitaria para as pessoas se programarem'', argumentou.
Programação complicada no caso da vendedora Geni Leonel Moreira, 25 anos. Para agendar um teste precisou encurtar o almoço e perder vendas. ''Esse é meu único tempo livre. Infelizmente, tudo que é público deixa muito a desejar'', lamentou.
O chefe da 12 Ciretran, Rubens Loureiro, apontou que das 14 horas às 17 horas, os servidores cumprem expediente interno, ordenando os atendimentos do dia e antecipando os do dia seguinte. Ele respondeu que o fechamento às 14 horas não interfere no atendimento porque as pessoas já estão acostumadas ao horário. Mas, segundo um segurança do órgão, muitas pessoas chegam após às 14 horas e é precisa tolerar o ''atraso'' em alguns casos.
Nas agências do Instituto Nacional de Previdência Social (INSS), o atendimento ao público também é feito das 8 às 14 horas. Mesmo depois de 42 dias de greve, o expediente não foi ampliado. ''O horário é determinado pelo governo federal. Não existe limitação de senha e todos que estiverem na agência até às 14 horas serão atendidos'', afirmou a chefe de seção do INSS em Londrina, Mirian Stinglin. Até às 17 horas, os funcionários cumprem rotina de trabalho interna.
Na Subdelegacia do Ministério do Trabalho, o problema é a falta de pessoal, disse o subdelegado Aurélio Yoshiaki Sugayama. Sem funcionários suficientes, os setores de emissão de carteiras de trabalho e de seguro desemprego tiveram redução de uma hora no expediente. ''Tivemos de reduzir o horário para dar conta de outros serviços'', declarou.


