A síndica do edifício Porto Seguro, Angelina Valim, considera muito caro os R$ 769,81 que pagou de IPTU sobre o apartamento de 120 metros quadrados em que mora, localizado a duas quadras da areia da Praia Brava de Caiobá. Segundo Angelina, Matinhos tem pouca estrutura para oferecer a seus moradores para justificar um valor tão elevado do imposto. ‘‘Talvez pelo preço ser tão alto as pessoas não tenham como fazer esses pagamentos em dia’’, alfineta.
Angelina compara o valor pago por ela aos cobrados em Curitiba. ‘‘Um apartamento de 130 metros quadrados no bairro Água Verde, com ótima localização a duas quadras do Clube Curitibano, paga cerca de R$ 180 de IPTU’’, diz.
Na avaliação de Angelina, a cidade de Matinhos está longe de possuir uma boa infra-estrutura. Segundo a moradora, falta asfalto, calçamento, esgoto e canalização da água de chuva, fazendo a cidade virar um caos quando chove muito. ‘‘As alíquotas de 2,5% (terrenos) e de 1,5% (construções) sobre o valor venal dos imóveis residenciais estão fora da realidade’’, reclama.
Em Curitiba, as alíquotas do IPTU para construções residenciais são bem menores que as de Matinhos: 0,2% (até 100 metros quadrados) e 0,6% (mais de 220 metros quadrados) e são semelhantes em relação aos terrenos, variando de 2% a 3%.
O prefeito de Matinhos, Francisco Carlim dos Santos, o ‘Chiquinho’, informa que há dois anos não acontecem aumentos no IPTU da cidade. Segundo Carlim, os únicos imóveis que sofreram reajuste foram os sobrados, em que o valor do imposto foi elevado em cerca de 100%, ‘‘por estarem com os valores venais abaixo do devido.’’
Carlim avalia que a diferença entre as alíquotas cobradas em Matinhos e em Curitiba se justifica porque ‘‘a capital é uma cidade rica que não depende exclusivamente do IPTU como nós. Aqui temos 25 mil habitantes pobres que dependem do turismo para viver e, na baixa temporada, precisam da prefeitura para tudo, como escolas e médico’’, diz. (G.V.)

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