Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Sanepar estimou que o abastecimento de água em Cascavel deve voltar ao normal hoje, uma semana depois da redução de 40% na oferta, em decorrência de rachaduras no sistema de filtragem da estação de tratamento. A situação estava se tornando insuportável para a população. Já havia ameaças de algumas associações de bairros de ir à Justiça contra a companhia porque o desabastecimento tem se repetido nos últimos meses.
A repetição de problemas no abastecimento também motiva questionamentos sobre o contrato entre Município e Sanepar. O prefeito Salazar Barreiros (PPB), por exemplo, contesta a privatização da companhia sem que tenham sido ouvidos os municípios, outorgantes de concessões para o serviço. ‘‘Em 2002, quando da renovação do contrato em Cascavel, deveremos discutir a viabilidade de renovar a concessão ou municipalizar o setor’’, acrescentou.
O presidente da Câmara de Vereadores de Cascavel, Misael Pereira (PFL), disse ter solicitado à sua assessoria ‘‘que investigue profundamente o contrato com a Sanepar, porque não se admite a oferta de serviço que motive queixas diárias e sofrimento à comunidade’’ – os consumidores de água são 250 mil.
Segundo o gerente da companhia, Afonso Marangoni, o problema no sistema de filtragem foi ‘‘acidental’’. Sobre a deficiência no processo de coleta e tratamento de água, Marangoni disse que o problema deve estar superado até o final do ano, com investimentos de R$ 10 milhões. A Sanepar informou que na noite de quinta-feira a água começou a ser injetada com maior pressão para todas as regiões da cidade.
No entanto ontem, em alguns bairros como na zona sul, ela ainda não havia chegado aos domicílios. Caminhões-pipa contratados pela Sanepar ainda faziam distribuição de água para residências, creches, hospitais e outros estabelecimentos. Segundo Afonso Marangoni, grande número de residências não tem caixas d’água, o que impede a reservação do líquido, que permitiria enfrentar alguns dias de falta na rede.
Nestes casos, muitas famílias recorrem a poços desativados ou a minas, sem garantia de que não estejam poluídos. Técnicos da companhia informaram que, após a despressurização da tubulação com o desabastecimento, a água pode chegar com coloração amarelo-escura, em áreas onde os tubos são ferro. A coloração é resultante do desprendimento de partículas enferrujadas do metal – que paulatinamente vai sendo substituída pelo plástico (PVC).

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