Você já deve ter visto muita gente fazendo planos mirabolantes que depois não deram em nada. Porém, no caso de um grupo de estudantes de Direito da Universidade Estadual de Londrina (UEL) a história é bem diferente.
Foi durante um churrasco, realizado em abril, que eles decidiram sair, de mochila nas costas, pela América Latina. Para que o plano, feito à beira da piscina, não ficasse só na conversa, como bons acadêmicos de Direito que são, eles rapidamente providenciaram um contrato, que seis ''corajosos'' toparam assinar e cumprir à risca. Ontem, os amigos deram início à aventura.
''No começo, o plano era apenas conhecer o maior deserto de sal do mundo, que fica na Bolívia, mas a coisa foi ficando maior e decidimos passar também pelo Chile, Peru, Argentina e Paraguai. Já estamos no quarto ano do curso e idealizamos a viagem para termos uma grande lembrança de nossa amizade'', diz Ricardo Jorge, um dos mais animados e praticamente o ''porta-voz'' da turma.
No roteiro, paisagens e momentos que prometem ser deslumbrantes, como a visita às ruínas da civilização inca de Machu Pichu, no Peru, e outros nem tanto assim, como a viagem de 660 km entre Puerto Quijarro e Santa Cruz, na Bolívia, dentro do nada confortável ''Trem da Morte''. A composição ganhou este apelido depois de servir de meio de transporte para as inúmeras vítimas da febre amarela que o país teve na década de 1950.
''Além do desconforto, temos notícia de que os pernilongos do pantanal boliviano são resistentes aos repelentes brasileiros'', diverte-se Ricardo Jorge. Tudo isso, porém, não causa o mínimo medo às duas meninas que acompanham os quatro rapazes. ''Esses detalhes são irrelevantes perto do conhecimento que vamos adquirir'', explica Alexandrina Assis. ''Na verdade, elas são as mais corajosas do grupo'', completa Willian Ogama.
''O Direito tem tudo a ver com a sociedade. Precisamos entender como funciona para compreender o que estudamos. Na viagem veremos, entre outras coisas, como é a cultura indígena da América do Sul'', destaca o ''porta-voz'' Ricardo Jorge.
Na Rodoviária de Londrina, onde o grupo se encontrou com a reportagem da FOLHA, o clima era de ansiedade e expectativa. Depois de três meses de preparação e muitas horas dobradas de estágio para poder viajar, tudo o que os acadêmicos queriam era colocar o pé na estrada.
''Alguns colegas nos criticaram. Disseram que somos loucos. No entanto, sabemos que vamos conhecer coisas tão legais que tudo vai valer a pena'', finaliza Vítor Castaldelli, viajante de carteirinha, que já conhece boa parte da Europa e da Argentina, mas não enjoa de ser mochileiro.
Completa o grupo a estudante Nathália Erbella, que se encontraria com os colegas já na divisa com a Bolíia, no Estado do Mato Grosso, e Wagner Kaba, que está na foto oficial de despedida feita pela FOLHA, mas chegou atrasado para a entrevista.(W.S.)

Serviço
A aventura dos estudantes londrinenses pode ser acompanhada por meio do blog: www.direitonabolivia.blogspot.com

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