Contratações garantiram visitas na Casa de Custódia
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domingo, 19 de janeiro de 2003
Rosângela Vale<br> Reportagem Local 
Apesar da greve dos agentes de disciplina, foi tranquila a manhã de visitas na Casa de Custódia de Londrina, zona sul da cidade. A revista foi feita normalmente e os parentes dos detentos puderam entrar sem problemas. ''Não achei nada diferente'', disse Elisabeth Nogueira, que visitava o local pela segunda vez. A situação também parecia normal para Antônia Ferreira da Costa. ''Acabei de chegar e daqui a pouco já vou entrar''.
De acordo com o diretor da unidade, major Edson Marcos Tomaz, a segurança foi garantida graças à contratação de 10 novos agentes, feita ontem pelo Instituto Nacional de Administração Prisional (Inap). ''Eles já haviam feito o curso e aguardavam serem contratados para cobrir férias. O processo só foi adiantado'', afirmou. Segundo Tomaz, o turno do dia conta normalmente com 25 agentes. Ontem, havia 30, pois 20 deles estavam cumprindo o terço, lei que determina a obrigatoriedade do trabalho de 30% dos funcionários em serviços essenciais.
O diretor da Casa de Custódia afirmou ainda que grande parte dos agentes têm solicitado acesso ao trabalho. ''Quem trabalha à noite, fica no meio dos grevistas durante o dia, mas depois entra para cumprir o turno. Vamos garantir a entrada dessas pessoas com a ajuda da Polícia Militar se for preciso'', ressaltou.
Segundo a delegada regional do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado do Paraná (Sinspp), Alessandra Rodrigues Celestino, cerca de 70 dos 80 agentes de disciplina estão paralisados, e nenhum deles está ''furando'' a greve. Ela denuncia o não revezamento dos funcionários que estão cumprindo o terço. ''A direção da empresa está usando de coação e ameaças aos que estão trabalhando. Tem uma pessoa lá dentro desde quinta-feira sem sair. Não fizemos a troca ontem porque eles ainda não liberaram os outros'', disse. De acordo com ela, funcionários da administração estão sendo usados para fazer o serviço dos agentes. ''Sem falar que os novos contratados estão trabalhando há 24 horas sem descanso''.
Para Alessandra, essa contratação é uma irresponsabilidade. ''Os agentes fizeram o curso há quatro meses e não têm preparo para enfrentar uma unidade penal abalada. O diretor nos pediu para que parássamos a greve, porque os presos estão agitados. Mas, para a imprensa, ele diz que está tudo tranquilo. Na verdade, está colocando em risco a integridade dos presos e das visitas'', avisou.
Ontem, no início da tarde, os grevistas receberam a notícia de que o Inap protocolou, no Ministério do Trabalho, um pedido de negociação, marcado para a próxima segunda-feira. ''Para nós, já é uma vitória'', observou Alessandra. Segundo ela, a categoria reivindica, sobretudo, melhores condições de trabalho e um plano de sa© úde. ''Se temos dor de cabeça, não podemos tomar um comprimido lá dentro, nem consultar um médico que está passando no corredor porque tudo é para o interno. Muitos de nós pegaram doença de pele e outros problemas. E não podemos faltar sequer um dia para enfrentar fila no SUS''.


