Curitiba

Marcelo AlmeidaPositivoPaulo César Rodrigues, superintendente do 3ºDelegacia de Polícia de Curitiba: ‘‘Agora somos um distrito high-tech’’Um pedreiro, um encanador, um eletricista e um orçamento de R$ 1,7 milhão compõem o limitado arsenal da Polícia Civil para tentar vencer a situação caótica dos prédios das delegacias e distritos policiais de Curitiba. Nos casos extremos existem delegacias sem telhado, com fossas entupidas, excesso de presos e paredes externas cedendo, tornando iminente os riscos de fuga e rebelião. Na outra ponta, a tentativa de fugir da inércia e buscar apoio da iniciativa privada conseguiu transformar o 3º DP, de Curitiba, num dos mais modernos do País, com circuito fechado de TV, alarme e um alto índice de segurança.
Ao lado do milagre do 3º DP, que conseguiu mais de R$ 12 mil em doações de empresários para reerguer sua estrutura, existem exemplos como o do 11º DP, situado na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), que enfrenta a superlotação de presos em celas sem telhado e um frágil sistema de segurança. ‘‘A situação aqui é mais do que caótica’’, diz o delegado-adjunto, Sérgio Taborda.
Desde a última rebelião, em janeiro, o telhado queimado pelos presos ainda não foi consertado. Quase a céu aberto, as celas recebem chuva e o refluxo das fossas. ‘‘O jeito é apelar para os rodos’’, diz, conformado, o delegado. Quando chove, os presos tentam se proteger com cobertores, jornais, revistas e o que mais for possível para vencer o frio. O próprio delegado admite a condição sub-humana a que são submetidos os presos, confirmando o clima de revolta. Para acalmá-los, afirma Taborda, a única maneira é negociar a permissão para receber visitas e presentes.
Segundo o delegado adjunto do 11º DP, já foram feitos vários pedidos à Divisão Policial da Capital para que o distrito fosse reformado. A remoção dos presos doentes de Aids e com doenças venéreas, que atualmente ficam juntos dos demais, também tem sido requisitada. A remoção do excedente de 36 presos - o distrito tem capacidade máxima para abrigar 44 presos e hoje é responsável por mais de 80 detidos - também tem sido demorada. ‘‘A falta de dinheiro faz tudo acontecer num ritmo muito lento’’, lamenta o delegado.
No 3º DP, a iniciativa de buscar o apoio dos empresários conseguiu reverter as falhas geradas pelo orçamento do Paraná. Cansados dos quadros de fuga, grades cerradas e túneis distribuídos pelo chão, a direção do distrito elaborou propostas e apelou diretamente a vizinhos e empresários do Bairro Mercês, onde está situada o distrito.
Numa visão contrastante com outras delegacias, o 3º DP possui sete câmeras de vídeo - inclusive duas no alto do telhado, para perceber aproximações de helicópteros - ligadas diretamente com um sistema de alarme. Qualquer movimentação estranha captada pelas TVs aciona o alarme. O dinheiro recolhido permitiu ainda a reforma dos muros, cercas, a construção de um canil e a aquisição de um cão treinado. ‘‘Agora somos um distrito high-tech de Primeiro Mundo’’, proclama o superintendente do 3º DP, Paulo César Rodrigues.

mockup