CONTRASTE - Perto da epidemia, longe da dengue
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quarta-feira, 30 de março de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local
Miraselva - No município de Cambará, no Norte Pioneiro, a dengue fugiu do controle. Com uma população de 25.170 habitantes, a cidade contabiliza 268 casos da doença, sendo 264 autóctones (contraídos no próprio município) e quatro importados. A epidemia se caracteriza quando a incidência da doença chega a 300 por 100 mil habitantes. Em Cambará, esse índice é de 1.048,87, segundo boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) na terça-feira. Barra do Jacaré faz limite com Cambará. Apenas 28 quilômetros separam as duas cidades. Mas lá a situação é tranquila. Desde 2010 nenhum caso de dengue é confirmado no município.
O mosquito circula entre os 2.821 habitantes de Barra do Jacaré, mas o trabalho de erradicação dos focos feito pelos agentes de Saúde tem mantido a doença longe da população. O boletim da Sesa aponta 16 notificações de dengue na cidade, das quais oito casos foram descartados. Os outros estão sob investigação. "A gente faz um trabalho ininterrupto com os agentes comunitários e os agentes de Endemias. Também fazemos palestras em escolas e mutirões. Em fevereiro, realizamos um grande arrastão. Fechamos a secretaria e todos os funcionários foram para a rua. A questão da dengue é a conscientização", disse a secretária municipal de Saúde, Ilma de Fátima Galego.
O caso de Cambará e Barra do Jacaré, que apesar da proximidade geográfica têm realidades distintas em relação à dengue, não é pontual. Em outros municípios do Estado o cenário é semelhante.
Guaraci, no Norte do Estado, também sofre epidemia de dengue, com incidência de 331,25 a cada 100 mil pessoas. No município de 5.434 habitantes estão confirmados 21 casos da doença 18 autóctones e três importados. Ainda há 102 notificações aguardando o resultado dos exames do Laboratório Central do Estado (Lacen). Vizinhas a Guaraci, Miraselva e Pitangueiras não têm registro de dengue. Em Pitangueiras, há duas confirmações da doença, mas são casos importados.
De olho nos números da dengue, a Secretaria Municipal de Saúde de Miraselva intensificou o trabalho de erradicação dos focos do mosquito Aedes aegypti. Diariamente, seis agentes saem a campo. Eles entram em todas as casas, conversam com moradores e os orientam sobre os cuidados necessários para eliminar o mosquito. Em 20 dias, os agentes visitam os 949 domicílios da cidade. Terminado o ciclo, o trabalho recomeça.
A coordenadora de Dengue da Secretaria de Saúde de Miraselva, Edina Mara Souza Toratti, afirma que o fato de o município ter apenas 1.885 habitantes facilita o combate à dengue. A população não oferece resistência à entrada dos agentes, que chamam cada um dos moradores pelo nome, incluindo as crianças e os animais de estimação. "Muitos moradores trabalham em cidades vizinhas. Como encontrávamos algumas casas fechadas, decidimos trabalhar em horários alternativos", explicou Edina.
Desde que a lista de municípios paranaenses com epidemia de dengue começou a crescer, o Levantamento de Índice Amostral (LIA) foi suspenso no Estado para que as equipes de Saúde se concentrassem no trabalho de erradicação dos criadouros. Os últimos levantamentos feitos em Miraselva, em novembro e janeiro, apontaram índices de infestação do mosquito de 18,09% e 8%, respectivamente. A Organização Mundial de Saúde considera aceitável um índice de até 1%. "O LIA está suspenso, mas sabemos que o mosquito está circulando na cidade. Temos que cuidar", afirmou a secretária municipal de Saúde, Cleide Vieira de Melo.