CONTRASTE - O esgoto é o Rio Quati
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quinta-feira, 22 de junho de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
O córrego é Quati, mas se dependesse de Lauza da Silva, 40 anos, poderia ser ''Gambá'', tamanho o mau cheiro. Há quase dez anos, a família dela mora na encosta do fundo de vale do Jardim Santa Mônica (Zona Norte), na ''porta'' do Cantinho do Céu - ocupação que fica do outro lado do pequeno corpo d'agua. ''A gente aqui não tem esgoto. Naquela casa ali (aponta para um vizinho), a descarga vai direto para o rio. Aí, não tem como ter cheiro bom, né?'', questiona.
A água e a luz são regularizadas, todo mês vem a conta. Em dia de chuva, ela e a cunhada, Sandra Aparecida Martinhão, 27 anos, seguram as crianças e torcem para a enxurrada não ser forte. ''Na minha vizinha da frente a água já chegou a subir parede'', garante. O problema, segundo as duas, é que na rua que fica no topo da encosta do vale, os bueiros não são limpos com frequência. O mesmo aconteceria com as ruas. ''Como não tem, ou melhor, não tinha, sistema de esgoto das casas lá de cima, juntava tudo aqui no rio'', afirma.
A questão é que a nova rede de esgoto que está sendo feita em todas as ruas do Jardim Santa Mônica - e de outros 13 bairros londrineses, a custo estimado em R$ 2 milhões e 800 mil - não vai contemplar nem as famílias Silva e Martinhão, nem os moradores do ''Céu'' vizinho. ''Seria bom se pudesse ser feito alguma coisa para eles também. Se melhorou aqui, pode melhorar lá'', opina Odete Paulino, que há três anos mora em uma das vias contemplada pela Sanepar. A impossibilidade se dá pela irregularidade da moradia. A própria Lauza reconhece: ''Nós pagamos por este terreno, mas não tem papael algum. Se mandarem sair, temos que ir sem reclamar''.
Além disso, segundo o presidente da Cohab Londrina, Carlos Eduardo Afonseca e Silva, em relação ao esgoto de quem mora na encosta do vale, não há solução, pois como as casas estão abaixo do nível da rede de esgoto, se quisesse contemplá-los, teria que passar a rede dentro do córrego. ''Além disso, lá é uma situação irregular. Cantinho do Céu não existe. É tudo fundo de vale do Jardim Santa Mônica, que por legislação nem deveria ser habitado'', afirma. Segundo as leis ambientais, toda margem, de qualquer corpo d'agua, é considerada área de preservação permanente e, portanto, não pode receber qualquer empreendimento.
Mas o próprio Afonseca e Silva reconhece a necessidade de resolver a situação dos moradores desta ocupação - que se assemelha a de cerca de cinco mil outras pessoas no município, segundo estimativa da própria Companhia de Habitação. ''Uma hora essas pessoas terão que sair de lá. A Cohab já os procurou, mas precisamos atender a fila de gente que espera por moradia regularizada. A sugestão é que eles, e qualquer família na mesma situação, se inscrevam e aguardem a casa própria''.
Serviço
As inscrições para a casa própria podem ser feitas das 8h30 às 17h30, de segunda a sexta-feira. A Cohab fica na rua Pernambuco, 1002. O telefone é (43) 3321 2233.


