Os contrabandistas estão improvisando portos nas margens do Rio Paraná, em Foz do Iguaçu, onde empilham centenas de caixas de cigarro compradas no Paraguai para serem transportados ilegalmente ‘‘via fluvial’’. O infratores burlam a fiscalização da Receita Federal (RF) na Ponte da Amizade utilizando pequenos barcos, que cruzam a fronteira 500 metros rio acima, levando o carregamento em direção aos ‘‘perueiros’’ contratados pelas quadrilhas.
A Folha registrou imagens que mostram cigarreiros paraguaios em um depósito improvisado ao ar livre, abastecendo várias vezes uma embarcação em plena luz do dia. O navegador cruza o rio, aporta em um acesso usado por pescadores da região e descarrega o contrabando com a ajuda de motoristas de kombis e vans.
Assim como armas e drogas, o transporte de cigarro é expressamente proibido. Mesmo assim, a mercadoria lidera o ranking de apreensões da RF, representando 45% de tudo o que passa ilegalmente pela fronteira. Segundo a delegada-chefe da Receita em Foz, Maria Angélica Toledo Castro, o material apreendido geralmente é mercadoria produzida no Brasil e exportada com impostos reduzidos ao país vizinho que acaba voltando ilegalmente isento de taxas. ‘‘Somente este ano, os cigarros apreendidos correspondem a US$ 11,396 milhões (cerca de R$ 23 milhões)’’, disse Maria Angélica, destacando, porém, que os números revelam queda de 7,48% em relação ao mesmo período do ano passado.
A delegada explicou que a RF vem intensificando a fiscalização do contrabando de cigarros na fronteira, ampliando o uso de uma Lei Federal de 1985 que permite multar as pessoas autuadas em até R$ 0,90 por pacote retido. ‘‘Quanto à fiscalização na margem do rio, que é de responsabilidade das polícias locais, sabemos que é difícil inibir os contrabandistas. A PM tem feito um bom trabalho, mesmo tendo menos armamento que as quadrilhas.’’
No final de setembro deste ano, quando os governos brasileiro e paraguaio assinaram um tratado que prevê ações mútuas para inibir o contrabando do produto, a Secretaria da RF em Brasília apresentou números onde 15% de todo o cigarro consumido no Brasil vem do Paraguai, resultando em um prejuízo anual de cerca de R$ 1 bilhão aos cofres públicos, que deixam de recolher impostos com a venda clandestina da mercadoria.

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