Contrabandistas driblam fiscalização
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de dezembro de 2000
Emerson Dias De Foz do Iguaçu 
Os contrabandistas estão improvisando portos nas margens do Rio Paraná, em Foz do Iguaçu, onde empilham centenas de caixas de cigarro compradas no Paraguai para serem transportados ilegalmente via fluvial. O infratores burlam a fiscalização da Receita Federal (RF) na Ponte da Amizade utilizando pequenos barcos, que cruzam a fronteira 500 metros rio acima, levando o carregamento em direção aos perueiros contratados pelas quadrilhas.
A Folha registrou imagens que mostram cigarreiros paraguaios em um depósito improvisado ao ar livre, abastecendo várias vezes uma embarcação em plena luz do dia. O navegador cruza o rio, aporta em um acesso usado por pescadores da região e descarrega o contrabando com a ajuda de motoristas de kombis e vans.
Assim como armas e drogas, o transporte de cigarro é expressamente proibido. Mesmo assim, a mercadoria lidera o ranking de apreensões da RF, representando 45% de tudo o que passa ilegalmente pela fronteira. Segundo a delegada-chefe da Receita em Foz, Maria Angélica Toledo Castro, o material apreendido geralmente é mercadoria produzida no Brasil e exportada com impostos reduzidos ao país vizinho que acaba voltando ilegalmente isento de taxas. Somente este ano, os cigarros apreendidos correspondem a US$ 11,396 milhões (cerca de R$ 23 milhões), disse Maria Angélica, destacando, porém, que os números revelam queda de 7,48% em relação ao mesmo período do ano passado.
A delegada explicou que a RF vem intensificando a fiscalização do contrabando de cigarros na fronteira, ampliando o uso de uma Lei Federal de 1985 que permite multar as pessoas autuadas em até R$ 0,90 por pacote retido. Quanto à fiscalização na margem do rio, que é de responsabilidade das polícias locais, sabemos que é difícil inibir os contrabandistas. A PM tem feito um bom trabalho, mesmo tendo menos armamento que as quadrilhas.
No final de setembro deste ano, quando os governos brasileiro e paraguaio assinaram um tratado que prevê ações mútuas para inibir o contrabando do produto, a Secretaria da RF em Brasília apresentou números onde 15% de todo o cigarro consumido no Brasil vem do Paraguai, resultando em um prejuízo anual de cerca de R$ 1 bilhão aos cofres públicos, que deixam de recolher impostos com a venda clandestina da mercadoria.


