Os números confirmam que ultrapassar a velocidade máxima permitida para a via em até 20% é uma prática comum entre os motoristas londrinenses. Somente nos primeiros quatro meses de 2018 foram 23.087 registros, conforme os dados do Placar do Trânsito. Outros 4.336 condutores excederam ainda mais o limite de circulação, chegando até 50%.

Esse levantamento é da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), que nesta semana vem intensificando as ações de fiscalização com radar móvel nas principais vias. A atividade integra a campanha Maio Amarelo – nós somos o trânsito. "A velocidade é o principal fator de mortes no trânsito. Estamos intensificando o trabalho de fiscalização, inclusive após as 18 horas, pois observamos que muitos acidentes ocorrem à noite, principalmente nas sextas e sábados", afirmou Carlos Eduardo Ribeiro, coordenador de Educação no Trânsito da CMTU.

Na manhã de terça-feira (15), os agentes acompanharam o movimento na avenida Arthur Thomas (zona oeste) e registraram 60 veículos trafegando acima do limite máximo de velocidade - 50 km por hora. Os condutores foram autuados. "Houve alguns registros em torno de 65 km/h e 70 km/h", apontou.

Segundo ele, a Arthur Thomas é uma das vias urbanas de ligação entre bairros e o centro da cidade. "A pista dupla ocasiona um fluxo maior e mais rápido dos veículos e isso aliado às boas condições do asfalto são alguns motivos que levam os motoristas a acelerarem", afirmou.

Entre aqueles que respeitaram essa sinalização, os agentes fizeram algumas abordagens no intuito de reforçar positivamente a conduta. A empresária Priscila Maeno foi surpreendida pela ação. "Acho que é uma boa forma das pessoas refletirem um pouco sobre esse comportamento no trânsito. Meus pais faleceram em um acidente de trânsito e eu já me envolvi em uma ocorrência por imprudência do motorista. Eu dirijo sempre dentro do limite", garantiu.

Um relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta que a velocidade excessiva é responsável por uma em cada três mortes por acidentes de trânsito em todo o mundo, e que essa conduta é praticada entre 40% a 50% dos motoristas. Ainda de acordo com o órgão, a redução de 5% na velocidade média pode resultar em uma diminuição de 30% em acidentes fatais.

Imagem ilustrativa da imagem Contra o excesso de velocidade



PENALIDADE
Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, exceder até 20% do limite de velocidade é uma infração média, com quatro pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e multa de R$ 130,16. Quando o excesso chega a 50%, a infração é gravíssima, com sete pontos e multa de R$ 293,47. Se o condutor ultrapassar em 50% o limite de velocidade, a penalidade é gravíssima, com valor de R$ 880,41 e suspensão da CNH.

PLACAR
Em comparação com o primeiro quadrimestre de 2017, o número de mortes em decorrência do trânsito cresceu 27%, passando de 26 para 33 em 2018. Os dados foram divulgados pela CMTU através do Placar do Trânsito. Entre os óbitos, o número de vítimas de atropelamento dobrou (6 para 12) e os de motociclistas passou de 11 para 13. A taxa de mortes nas ruas e avenidas da cidade ficou em 17,72 para cada grupo de 100 mil habitantes. Para fins comparativos, em todo o ano de 2017, esse índice foi de 16,20.

Já em relação ao total de acidentes e de vítimas não fatais, a CMTU registrou uma queda de 6% e 9% (respectivamente) nos primeiros quatro meses do ano. "Podemos observar que a imprudência e o desrespeito à sinalização foram os principais causadores de acidentes em boa parte dos casos. Tanto é que as ocorrências diminuíram, mas a gravidade permaneceu", analisou Pedro Ramos, diretor de Trânsito da CMTU.

O estudo ainda mostrou que jovens entre os 18 e 30 anos se envolvem muito mais em acidentes, seguida da faixa etária dos 31 aos 59 anos. No que se refere aos pontos com maior registro de acidentes, a PR-455 no trecho que corta o município entre Cambé e a saída para Curitiba, ocupa o primeiro lugar. Para reverter os números de violência no trânsito, a CMTU irá retomar as blitze em parceria com a Polícia Militar.

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