Contra o excesso de peso nas escolas municipais
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quarta-feira, 31 de maio de 2017
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 

Do total de 25.371 estudantes da rede municipal de ensino de Londrina, 8.647 estão com excesso de peso. Já 62,4% dos alunos apresentam peso adequado e 3,6% estão abaixo do recomendado. Os números foram divulgados recentemente pela Secretaria de Educação e fazem parte da última Avaliação Antropométrica. O levantamento foi feito por professores de educação física em 84 escolas do município, com 76 unidades da área urbana e oito da da zona rural.
Realizada anualmente desde 2013, quando passou a integrar o cronograma da "Semana do Movimento e Saúde", a avaliação serve como suporte para a realização de ações educativas que possam minimizar os índices de peso excessivo entre os alunos e diminuir os riscos à saúde. Os dados são coletados duas vezes por ano e no final é traçado um panorama, gerando uma estatística, feita em parceria com o departamento de tecnologia da Prefeitura.
"O projeto da Semana do Movimento e Saúde tinha o objetivo de valorizar algumas práticas que aconteciam nas aulas de educação física, gerando uma conscientização mais efetiva das necessidades que temos com o cuidado da saúde, corpo e a busca constante pela qualidade de vida. Em paralelo, já existiam coletas de dados de peso e altura nas escolas e buscamos uniformizar isso, passando a criar estatística com estes números", explicou Junior César Dias, coordenador pedagógico de Educação Física da SME (Secretaria Municipal de Educação).
Todos os alunos da rede municipal participam do projeto, incluindo os da EJA (Educação de Jovens e Adultos). O último levantamento, correspondente a 2016, mostrou dados que preocuparam os educadores, principalmente quanto aos matriculados do 1º ao 5º ano. "Infelizmente, é o mesmo número visto em outras pesquisas pelo país, mostrando que a população, como um todo, está engordando e estamos acompanhando essa tendência", constatou Vitor Hugo Fernando de Oliveira, professor de educação física na escola Maria Carmelita Vilela Magalhães e um dos responsáveis pela elaboração do relatório.
Dados de 2016 da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertam que a obesidade infantil já atingiu pelo menos 41 milhões de crianças no mundo. A Avaliação Antropométrica quer minimizar isto. "Nosso setor de alimentação já vinha em uma revisão do cardápio e agora, tomando conhecimento do relatório, eles terão condições de fazer uma análise maior, até mesmo por região, com adequações. Também reforçamos as atividades de conscientização, principalmente nas aulas de educação física", afirmou Dias.
As meninas foram as que mais apresentaram eutrofia (63,9%) e sobrepeso (17,7%) de acordo com o levantamento municipal, enquanto os meninos tiveram maior índice de magreza (3,1%), obesidade (14,9%) e obesidade grave (4,7%). Na comparação por zona, os moradores da área rural registraram maior excesso de peso (38,3%), enquanto as crianças do espaço urbano ficaram na frente em relação à eutrofia (62,6%).

PRÁTICA DE ESPORTES
Alunos da escola Maria Carmelita Vilela Magalhães, região central, Samuel Hideki, 8, e Thiago Correia, 9, têm rotinas parecidas quando o assunto é a prática de esportes, porém diferenças no peso. Enquanto o primeiro tem 54 quilos, o segundo possui 27. "Não sou muito de comer bolacha e doces, mas quando o almoço é bom, como bastante", reconhece Samuel. Muito aplicado nas aulas de educação física, segundo o professor, e fazendo taekwondo e futebol, ele busca manter uma rotina de exercícios. No mesmo caminho na realização de atividades, Thiago aposta na alimentação saudável para manter o peso ideal para a sua idade. "Faço futebol, judô e educação física. Também como muita fruta. Gosto bastante".
Para os professores, a busca por uma vida saudável passa pela criação de políticas públicas, cuidado dos pais e incentivo da escola, já que se trata de uma questão que apresenta resultados e problemas a médio e longo prazos. Para colaborar, a rede de ensino ainda mantém parceria com uma universidade de Londrina, onde as crianças e famílias recebem acompanhamento nutricional ao apresentar excesso de peso. "Todo o trabalho que é realizado ainda esbarra na resistência que a família tem em relação a mudança radical de hábitos", lamenta o coordenador pedagógico de Educação Física da SME.



