Contra o aborto em qualquer situação
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segunda-feira, 14 de março de 2005
Camilla Rigi<br> Reportagem Local 
Baseada no pressuposto de que homens e mulheres são diferentes, têm papéis diferentes e se completam na sociedade, a irmã Elena Lugo, PhD em Filosofia e diretora da Comissão de Biotética do Vaticano, posiciona-se contra a aprovação da lei de aborto em qualquer situação. Porém, em caso de estupro, admite que a mulher pode evitar uma gravidez em até oito horas após a relação sexual.
A religiosa esteve ontem em Londrina para ministrar palestra para a comunidade. O evento fez parte das comemorações dos 70 anos do Colégio Mãe de Deus e do Hospital Santa Casa.
''Pelo que sei, o espermatozóide demora cerca de oito horas para alcançar o útero. Se neste tempo a mulher fizer uma lavagem não cometerá aborto'', detalhou. Mas é fundamental, segundo ela, que o médico tenha certeza de que a fecundação ainda não ocorreu. Passado este tempo, Elena aconselha não interromper a gravidez e entregar o filho a uma instituição.
Quanto ao uso de contraceptivos e preservativos, a irmã reflete a opinião do Vaticano: é contra. ''Um mulher solteira só deve usar anticoncepcional se esse for o único remédio para uma enfermidade. Nunca para evitar gravidez'', afirma. Já no caso de mulheres casadas, a filósofa acredita que há a possibilidade de fazer um planejamento familiar sem necessidade do remédio. ''Se tiver um diálogo entre o casal, não será difícil se abster por um período para evitar outro filho'', explica.
A irmã teme que, se a Igreja liberar uso de camisinha e anticoncepcional, a situação ficará mais incontrolável do que já está. ''Não podemos transformar em um tema de saúde uma questão moral, que tem causas sociais e políticas''. Para a filósofa, se o Estado investisse em educação e não em medidas paleativas, como a distribuição de preservativos, a realidade poderia mudar.
Segundo Elena Lugo, é preciso antes de mais nada uma reflexão profunda sobre a autenticidade do papel da mulher e do homem na sociedade e na família. Para a religiosa porto-riqueinha, esse é o ponto de partida para a discução sobre os novos desafios da instituição familiar na modernidade.
''O primeiro ponto é contrastar a identidade sexual com a ideologia de gênero'', explicou a irmã. Em espanhol, ela afirmou à reportagem da Folha que a pessoa, homem ou mulher, deve ser educada de acordo com o sexo que lhe foi dada pela natureza. ''É diferente da ideologia de gênero, que diz que o ser humano pode escolher como viver'', enfatiza.
Segundo a irmã Elena, a identificação sexual está em reconhecer a mulher como mãe, e o homem como pai. A filósofa acredita que a deturpação destes sentidos começou no século passado, quando o individualismo se sobrepôs à ética. ''A filosofia moderna tenta convencer o homem de que ele é auto-suficiente e pode configurar seu próprio sentido do bem e da verdade'', explica. Isso, segundo Elena, pressupõe que não existe ninguém acima dele.


