Curitiba - Vítimas de assaltos cada vez mais frequentes, os comerciantes de Curitiba e Região Metropolitana armam-se como podem. Câmeras, alarmes, cofres eletrônicos e grades acabam sendo ferramentas importantes de sobrevivência. Jean Pierre Pasa, proprietário de uma rede de postos de combustíveis na BR-116, em Campina Grande do Sul, já viu o crime ocorrer mais de 30 vezes apenas neste ano em seus estabelecimentos.
Ao chegar no posto para falar com Pasa, a reportagem da FOLHA foi alvo do primeiro obstáculo para a entrevista, um interfone monitorado por uma câmera, que barra todo desconhecido. Ninguém passa pela primeira entrada sem ser identificado. Para subir ao escritório, é preciso atravessar uma segunda porta com grade de aço, protegida também por câmeras e sistema eletrônico.
Pasa já gastou mais de R$ 20 mil em equipamentos eletrônicos de segurança. ''Hoje eu tenho 15 câmeras em cada posto e ainda vou aumentar esse número. Sempre tem um ponto cego'', explicou Pasa, que já chegou até a ser levado como refém em um dos assaltos. ''Eles sempre querem o dinheiro da boca do caixa'', disse.
Mas, às vezes, não é só o aparato tecnológico que ajuda. Pasa e Antônio José de Bortoli - que morreu em julho durante um assalto ao seu posto, também em Campina Grande do Sul- tinham uma tática, que unia os postos de combustíveis na BR-116 contra os bandidos. ''Normalmente, eles (criminosos) vão fazendo 'arrastão'. Os donos de postos daqui combinaram que quem fosse assaltado primeiro ligaria em seguida avisando os outros. Teve um caso em que eu fui o primeiro. Então, meu funcionário avisou os outros, que acabaram saindo dos postos e se preparando. Como eles não conseguiram assaltar lá, voltaram no meu, foi quando a polícia já estava esperando'', contou Pasa.
Vítima também de mais de 20 assaltos, o casal Ovande, 61 anos, e Mercedes Nikkoska, 56, tomou uma atitude um tanto curiosa. Sem condições para comprar câmeras ou alarmes, os dois resolveram colocar grades fixas nas entradas da mercearia de que são proprietários e, há dois anos, vendem suas mercadorias através delas, privando-se do contato com os clientes. Ninguém entra e ninguém sai.
Na grade há uma pequena janela por onde passam os objetos de venda. ''Sempre compro pela grade. É horrível, mas tem que comprar. Faria a mesma coisa se estivesse no lugar deles. Imagine trabalhar tanto para roubarem'', afirmou a cliente do casal, a dona de casa Madalena Rosa de Lima, 48. Segundo Ovande, depois da instalação do seu sistema de segurança, a mercearia perdeu 40% dos clientes. ''Aberto já vende pouco. Imagine com grade'', disse.

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