O Fórum Pró-Conservação da Natureza no Paraná envia hoje ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) um dossiê sobre supostas irregularidades ambientais nas obras do Contorno Leste - trecho de 44 quilômetros entre Quatro Barras e Curitiba que desviará o tráfego pesado da BR-116 do perímetro urbano. A denúncia, encaminhada também ao Banco Mundial (Bird), refere-se à intenção de construir um novo acesso no Contorno Leste, modificação que, segundo a entidade, consolidaria um desastre ambiental nos mananciais da Bacia do Rio Iguaçu. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) negam a intenção de modificar a obra.
Segundo a ambientalista Teresa Urban, membro do Fórum, a construção de um acesso no trecho do Contorno que atravessa os mananciais teria como resultados negativos a ocupação ainda mais intensa da região e um tráfego maior que o previsto inicialmente em função do uso do contorno também por motoristas locais. Teresa afirma que fornecedores da Renault instalados em Quatro Barras - a montadora francesa fica em São José dos Pinhais - estão solicitando a construção do acesso ao governo do Estado. ‘‘A análise, pelo IAP, dos impactos ambientais da construção de um novo acesso e a elaboração de um projeto pelo DNER são indícios de que o Estado está inclinado a permitir a obra’’, afirma Teresa.
Um novo acesso, critica Teresa, comprometeria também a Barragem do Iraí, em construção, e outros projetos de saneamento na região financiados pelo Bird, que deve receber outro relatório até 15 de dezembro.
O diretor de Controle de Recursos Ambientais do IAP, Mário Sérgio Rasera, afirma que o instituto não está analisando nenhum projeto referente a alterações no Contorno Leste. O uso do solo, explica, é controlado - como determina a Constituição Federal - pelos municípios, que submetem a instalação de novos empreendimentos à apreciação do IAP. ‘‘O maior problema quando se fala em degradação do meio ambiente são os empreendimentos irregulares, sobre os quais não temos controle.’’
As indústrias instaladas na região da Renault, assegura Rasera, apresentaram projetos técnicos e ambientais que foram analisados. ‘‘O Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do Distrito Industrial especifica quais poluentes podem ser emitidos e estabelece quantidades máximas permitidas para assegurar a preservação.’’
O engenheiro do DNER Gilberto Massucheto diz que não existe qualquer projeto para a construção de novos acessos na área do Contorno que atravessa mananciais. ‘‘Esta é uma rodovia de classe zero, em que não são permitidos acessos deste tipo.’’ O único acesso em construção no Contorno ligará a fornecedora de peças Thera, em São José dos Pinhais, à Renault, obra financiada pela empresa e pelo município.

mockup