'Continuaram atirando comigo no chão'
Ibiporã - "Não acredito em sorte. Sorte tem a pessoa que ganha no jogo de bicho. O que me salvou foi Deus", destaca Kauê Neves Pacheco sobre ter sobrevivido a oito tiros. A tentativa de homicídio ocorreu no Jardim Millenium, em Ibiporã, por volta das 22 horas de 20 de agosto de 2010, quando ele andava de skate. O jovem tinha 17 anos na época. Para Kauê, tudo não passou de um engano. "Me confundiram com outra pessoa. Não tenho inimizades. Eles me chamaram por um outro nome e atiraram nas minhas costas. Cai e continuaram atirando comigo no chão. Os calibre usados foram de 380 e .45", recorda-se ele, destacando que não perdeu a consciência até chegar ao hospital.
As munições também atingiram de raspão órgãos importantes e áreas delicadas do corpo de Kauê. "Uma delas explodiu minha medula. Por um centímetro não fiquei paraplégico", ressalta. Além dos tiros nas costas, Kauê sofreu ainda um próximo ao ombro e outros dois na coxa direita. As balas ficaram alojadas. O projétil do ombro foi retirado, conforme mostra o vídeo na conta de Kauê no Facebook. Segundo o jovem, a Polícia Civil de Ibiporã abriu inquérito para apurar o caso, mas que até hoje não tem respostas sobre os autores. De acordo com o delegado Roberto Fernandes de Lima, o inquérito foi arquivado em 4 de setembro de 2014 por determinação da Justiça.
O jovem, que mora com a mãe e dois irmãos em Ibiporã, conta que sente ainda dores pelo corpo. Além disso, não consegue suportar muito peso. O que o impede de trabalhar. Atualmente, de maneira voluntária, dá aulas de dança de C-Walk (estilo que nasceu na ruas da periferia dos EUA) em projetos sociais de Londrina e Ibiporã. Kauê também é cantor de rap no KNP (Konvicta Nítida Poesia), onde expõe sua indignação por meio das rimas. (P.M.)





